sábado, 16 de fevereiro de 2019

MANUEL JOSÉ TORCATO SOARES BAPTISTA (1959-2019) - INDUSTRIAL E AUTARCA

Manuel José Baptista em fotografia de 2016
Manuel José Torcato Soares Baptista nasceu em Guimarães no dia 18 de setembro de 1959 e, com apenas um mês de idade, foi trazido para viver no lugar de Porto d’Ave, freguesia de Taíde do concelho da Póvoa de Lanhoso, onde seu pai acabara de adquirir uma padaria e onde por esse motivo se instalou com a família.

Dos seis filhos do casal Manuel Baptista e D. Maria de Lurdes Torcato Soares (Maria, Fátima, Manuel José, Francisco, José Joaquim e Rosa Maria), os três mais velhos viram a Luz da vida em Guimarães, enquanto os restantes três nasceram já na Póvoa de Lanhoso.

Segundo a irmã Maria Torcato “Porto d’Ave não foi uma escolha, mas o acaso que ditou a sorte, já que o pai Manuel Baptista procurava uma padaria nos arredores de Guimarães. Na altura havia apenas uma, à venda, bem longe da cidade berço, numa pequena aldeia situada muito para aquém da serra de Gonça”.

Foi, pois, em Taíde, que Manuel Baptista frequentou e concluiu os seus estudos básicos, tendo posteriormente estudado no Ciclo Preparatório Prof. Gonçalo Sampaio, na vilasede do concelho. Segundo um seu antigo professor, “Era já então uma criança alegre, muito expansiva e com uma enorme força de vontade para fazer coisas. Destacava-se pela sua capacidade de liderança em relação a outros colegas de estudo”. Por essa altura, tornou-se uma figura muito apreciada pelos colegas e amigos que o tratavam por “Zé Manel Baptista” e não por Manuel José, como havia sido batizado. Zé Manel foi, aliás, a forma como muitos o trataram até ao fim, incluindo os próprios irmãos, o que leva a crer que os pais o terão querido batizar José Manuel e não Manuel José.

Inteligente, mas pouco interessado nas matérias letivas, Manuel Baptista demonstrou, ainda aluno no Ciclo Preparatório, que seguir estudos académicos não eram o seu fim: mostrou, antes, desde muito cedo, uma enorme vontade em trabalhar e em criar os seus negócios. Iniciou, pois, a vida profissional com o seu pai na indústria de panificação, criando, alguns anos depois, mais tarde a sua empresa no ramo têxtil. Dedicou-se posteriormente a vários outros ramos da indústria e do comércio, tendo, em muitos desses negócios, alcançado relativo êxito.

Paralelamente à sua atividade empresarial, Manuel Baptista desde cedo participou ativamente no tecido associativo, destacandose a sua passagem pelo Grupo Desportivo Porto D’Ave, do qual foi presidente, e Núcleo da Cruz Vermelha da Póvoa de Lanhoso. Mais recentemente foi eleito presidente do conselho fiscal da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, cargo que ocupou até ao seu falecimento.

Em termos políticos, após 25 de abril de 1974, filiou-se como militante da JSD – Juventude Social Democrata concelhia, logo conquistando um lugar de destaque no distrito. Fez parte de um grupo de jovens povoenses que conquistaram o seu próprio lugar na política e que nas últimas décadas ascenderam aos cargos mais altos na vida política, associativa e social concelhia. O seu gosto pela participação cívica e militância ativa no Partido Social Democrata levou Manuel Baptista a aceitar integrar a lista de candidatos a vereadores proposta pelo então presidente da câmara Eng.º José Luís Portela, sendo eleito por sufrágio democrático mas tendo, a meio do mandato, “batido com a porta” por discordância com algumas decisões do então presidente da edilidade já referido.

Anos mais tarde assumiu o desafio de se candidatar à presidência da maior freguesia do concelho, a de Póvoa de Lanhoso (Nossa Senhora do Amparo), tendo vencido as eleições, em 2001. Quatro anos depois, em 2005, aceitou liderar a candidatura à câmara municipal pelo seu partido de sempre, o PSD, vencendo as eleições por maioria absoluta.

Cumpriu três mandatos de quatro anos, num total de doze anos como presidente da câmara municipal. Nas últimas eleições (2017), não podendo candidatar-se por força da lei a novo mandato como presidente e por ter projetos em vias de conclusão, quis ficar na câmara como vereador. Candidatou-se, sendo então eleito vereador na lista que levou Avelino Silva à vitória e a torna-se seu substituto. Manuel Baptista ficou a coordenar os projetos que tinha iniciado no seu mandato e que se encontravam por concluir, tendo ainda sob sua alçado a gestão de projetos e fundos comunitários. Mas a sorte, sem a qual o querer e o esforço dos vencedores não teria esse desfecho, sorte essa que tinha acompanhado na maior parte da sua vida este homem que viver de “mangas arregaçadas”, começou a faltar-lhe. Chegou ao fim do mandato já bastante doente. E a doença, que o foi minando a cada dia, retirou-lhe aos poucos o espaço de trabalho a que se tentava dedicar como outrora.

No seu percurso autárquico, como presidente da câmara da Póvoa de Lanhoso, destacase a eleição para presidente da comunidade intermunicipal do Ave (CIM do Ave) onde teve um papel determinante na construção da estratégia do território para o novo quadro comunitário Portugal 2020. Em termos concelhios, saliente-se a opção de adquirir, para propriedade do município, as casas que ladeiam o Theatro Clube, edifícios que foram construídos na primeira década do século XX pelo benemérito António Ferreira Lopes, e que, em conjunto com o palacete das Casas Novas (atual Lar de S. José da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso), a escola primária António Lopes e o jardim com o mesmo nome, dão forma aquele que é hoje – unanimemente – considerado como o local urbano mais bonito deste concelho. Mas a sua obra como presidente da câmara da Póvoa de Lanhoso foi muito para além daquilo que aqui possamos anotar. Não obstante tudo quanto foi capaz de levar adiante na sua passagem pela liderança do município, a importância da sua obra só poderá ser verdadeiramente aferida daqui a alguns anos, quando a história olhar tudo à distância de uma análise mais fria e completa. Uma coisa é certa: Manuel Baptista será, por tudo quanto foi e representou, muito mais que uma nota de rodapé na redação de uma História do concelho da Póvoa de Lanhoso.

Manuel José Torcato Soares Baptista foi casado com Teresa de Sousa, uma madeirense por quem se apaixonou e que foi a sua grande companheira ao longo das últimas três décadas, e pai de três filhos.

Faleceu na madrugada de 15 de fevereiro de 2019, aos 59 anos de idade.

A Póvoa de Lanhoso chorou-o como a poucos na sua história.

José Abílio Coelho

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

CÂNDIDO VAZ PINTO DE MIRANDA (1868-1962) - Chefe da estação dos CTT

Cândido Vaz Pinto de Miranda
Cândido Vaz Pinto de Miranda ou, como por todos era conhecido, apenas Cândido Miranda, nasceu na freguesia de Rendufinho (Póvoa de Lanhoso) em 17 de maio de 1868, filho legítimo primeiro de Francisco José Vaz, natural da mesma paróquia, e de D. Emília Rosa de Miranda, natural de São Gens de Calvos, lavradores e moradores no lugar do Eirado. Era neto paterno de José Vaz, desta mesma freguesia, e de Custódia da Cunha, oriunda da freguesia de São Miguel de Taíde; e, materno, de António Zeferino Pinto de Miranda e de Maria Joaquina Ferreira Sampaio[1], da freguesia de São Gens de Calvos[2].

Não sabemos o seu trajeto enquanto criança mas encontrámos, especialmente nos seus avós maternos, um lastro que pode atribuir certa importância social aos seus antepassados: sua avó materna aparece-nos identificada como Maria Joaquina Ferreira Sampaio, oriunda de São Gens de Calvos. Poderá ter raízes na Casa da Botica, daquela aldeia, onde se originaram figuras povoenses importantes do dobrar do século XIX para o XX, dentre os quais se destacou o botânico mundialmente reconhecido e investigador folclorista de primeira água, Professor Doutor Gonçalo Sampaio. É um tema a ser melhor investigado. Quanto ao avô materno, marido daquela Maria Joaquina, António Zeferino Pinto de Miranda, creio que seria irmão mais velho de Fernando António Pinto de Miranda - o futuro visconde de Taíde, cuja biografia pode ser encontrada também neste dicionário. A diferença de idades entre António Zeferino e o benemérito de Taíde andaria pelos 15 anos, o que era mais que natural. Serve-me ainda de referência para defender este grau de parentesco o facto de, no assento de casamento de António Zeferino com Maria Joaquina Ferreira Sampaio, que teve lugar na paróquia de São Gens de Calvos em 30 de janeiro de 1836 (teria o futuro visconde 6 anos) constar que era escrivão público no julgado da Póvoa de Lanhoso e que tinha vindo da vila de Guimarães, embora não indique o nome de pais e avós, o que desde logo facilitaria a leitura desta questão. Ora, o pai do futuro titular era escrivão no tribunal da comarca de Guimarães. Como muito acontecia naquele tempo, é bem provável que tenha preparado o filho e o tenha depois colocado na Póvoa de Lanhoso. Tenho ainda para mim que António Zeferino seria irmão do visconde, pois só assim existiria o parentesco tio-sobrinho (segundo sobrinho, descendente de uma filha de António Zeferino e Maria Joaquina), como os jornais identificavam o visconde e Cândido Miranda. Mas também este é um assunto a pesquisar com mais tempo.

Pelo que atrás fica dito, é quase certo que Cândido Vaz Pinto de Miranda, sendo oriundo de uma família das elites rurais da localidade, estudou, adquirindo um certo grau de conhecimento. A primeira referência que dele encontrámos quando adulto dá-o em Lodares, concelho de Lousada, onde, a 14 de fevereiro de 1898, então com 29 anos de idade, casou com D. Virgínia da Silva Durão. Era identificado como funcionário público. A noiva, tinha 24 anos, era doméstica, natural daquela freguesia e concelho e ali moradora, filha legítima de José de Sousa Durão, proprietário, natural de Rossas, Lixa, e de dona Joaquina Emília da Conceição, natural de Silvares, concelho de Lousada[3].

Não sabemos se regressou de imediato à Póvoa de Lanhoso, mas já aqui se encontrava no início do século XX, como chefe da delegação dos CTT. Sabemos que a Póvoa de Lanhoso tinha estação de correios pelo menos deste 1879[4]. A partir de 1906 ou 1907 fixou-se a estação de correios e telégrafo no largo de António Lopes, numa das casas ali construídas pelo fundador do hospital, sendo nesse casa que Cândido de Miranda veio a habitar com a esposa, ali nascendo vários dos seus filhos[5]. Os CTT foram um campo de trabalho para vários membros da família, pois na empresa trabalharam alguns dos seus filhos, bem como a esposa que, quando o marido se reformou, viria a assumir a chefia da delegação até à aposentação[6].

D. Virgínia da Silva Durão faleceu, aos 85 anos de idade, em 8 de agosto de 1959[7].

Cândido Vaz Pinto de Miranda morreu em Galegos, onde se fixara com a família numa belíssima casa própria, em 17 de maio de 1962. Tinha 94 anos e era oficial aposentado dos CTT.
Era pai de D. Agripina Adília Miranda de Carvalho, casada com Cândido José de Carvalho, chefe da secção central da 6ª vara cível de Lisboa; D. Elisa Durão Miranda, professora oficial, aposentada, residente em Galegos; D. Adília Emília Durão Pinto de Miranda, professora oficial em Angola, viúva de António Joaquim Salgado, que foi administrador de circunscrição naquela província; D. Maria da Conceição Durão Miranda, casada com Geraldino Joaquim de Carvalho, chefe da 2ª secção da 3ª vara cível de Lisboa; D. Almena Durão Pinto de Miranda, funcionária dos CTT em Angra do Heroísmo, viúva do Dr. Manuel de Mesquita, farmacêutico que foi diretor-técnico da farmácia do Hospital António Lopes, na Póvoa de Lanhoso, e que mais tarde se fixou nos Açores, de onde era natural; e D. Augusta Durão Pinto de Miranda, casada com Salvador Beltrão, negociante em Noqui (Angola); e dos senhores Fernando Durão Miranda, chefe de secretaria da Junta Distrital de Beja (na década de 1930 foi chefe de secretaria do município da Póvoa de Lanhoso, lugar que abandonou por sua vontade por se encontrar em litígio com a câmara de então), casado com D. Maria Emília Gomes de Miranda; Álvaro Durão Pinto de Miranda, funcionário da Campanha Elétrica das Beiras, na Guarda, casado com D. Maria Isabel de Miranda, funcionária dos CTT na mesma cidade; Abílio Alberto Vaz Pinto de Miranda, chefe da secção central do tribunal de Cabeceiras de Basto (mais tarde esteva no tribunal de Lisboa; Adelino Vaz Pinto de Miranda, empregado comercial em Noqui (Angola), casado com D. Maria Antonieta Vaquinhas de Miranda, com a mesma profissão de balconista comercial; e avô das meninas Maria Alcina Pinto de Miranda Salgado, professora oficial; Maria Manuela Pinto de Miranda Salgado, professora oficial; Maria Sofia Gomes de Miranda e Maria Antonieta Vaquinhas de Miranda, e dos estudantes Jorge Durão Gomes de Miranda e Rui Manuel Miranda de Mesquita[8].

Cândido Miranda foi um homem respeitável, constituindo-se pela vida honrada que levou, pelas amizades que construiu ao longo da vida e pela educação que soube dar a seus filhos e filhas, como um dos povoenses mais respeitados da primeira metade do século XX.

José Abílio Coelho



[1] ADB, Paroquiais de São Gens de Calvos, casamentos, 1807-1858, fl. 73
[2] ADB, Paroquiais de Rendufinho, nascimentos, 1867-1883, fl. 9.
[3] ADB, Paroquiais de Lodares, casamentos, 1896-1899, fls. 13-13v.
[4] Manuel Joaquim da Silva, natural de Guimarães onde nasceu a 29 de julho de 1844, filho de pais incógnitos, foi nomeado, por despacho de 27 de janeiro de 1879, carteiro efetivo na Póvoa de Lanhoso pela então administração central do correio do Porto. Foi admitido ao serviço, na categoria de distribuidor em Póvoa de Lanhoso, por portaria de 15 de novembro de 1880 com um vencimento diário de trezentos e sessenta réis. Por decreto de 29 de julho de 1886, foi reclassificado para o serviço postal e telegráfico ainda na Póvoa de Lanhoso, nos termos do artigo 43º da organização aprovada pelo referido decreto. Por portaria de 19 de novembro de 1890, foi demitido por praticar, por diversas vezes, o “abuso de arrancar e subtrair estampilhas afixadas nas correspondências para franquia destes, por falsificar na caderneta de registo das correspondências as assinaturas dos outros (…) e, finalmente por violar e reter várias cartas que lhe eram entregues”, Arquivo dos CTT (doravante ACTT), cota A000574, in http://bh1.fpc.pt/nyron/Archive/catalog/winlibsrch.aspx?skey=355B0E0AA00E43E8B7653B34F51290F8&pesq=3&pag=1&sort=3&tpp=10&cap=&var9=povoa%20lanhoso&opt9=and&var3=&var6=&fbclid=IwAR0CkU7oieEciTbLtLUTOtbBEsDmD_EtLRZSMxvfuJB7pAV6D0y7cyfouig
[5] A filha Agripina Adília Durão Miranda, nasceu em Santa Maria de Lodares, Lousada, em 6 de dezembro de 1898. Esta filha foi também nomeada, na categoria de ajudante jornaleira, para a estação dos CTT da Povoa de Lanhoso, por despacho de 25 de agosto de 1916, com o vencimento diário de 40 centavos. ACTT, cota A000572, site citado. A filha Maria da Conceição nasceu já na Póvoa do Lanhoso, tendo vindo a esta vida em 13 de outubro de 1903. Em agosto de 1924 foi também ela provida ao serviço dos CTT na categoria de ajudante, com o vencimento anual de 222$00. ACTT, cota A000572, site citado.
[6] Jornal Maria da Fonte, nº 61 – 16ª série, 16 de agosto de 1959, p. 2.
[7] ADB, Paroquiais Lodares, 1896-1899, fls. 13-13v.
[8] Jornal Maria da Fonte.

domingo, 27 de janeiro de 2019

António dos Santos (1906-1982) - Fundador da Caixa Agrícola da Póvoa de Lanhoso

António dos Santos
António dos Santos nasceu no lugar da Portela, freguesia de Fontarcada e concelho da Póvoa de Lanhoso, em 1 de abril de 1906.
Era filho legítimo do jornaleiro António Joaquim dos Santos Exposto e da aguadeira Brasilina Casimira, ela nascido no mesmo arrabalde da vila da Póvoa, ela oriunda de São João de Rei, do mesmo concelho.
Nos anos trinta do século passado foi músico, executante de saxofone soprano nas bandas filarmónicas da Póvoa de Lanhoso e de Amares.
Em 5 de fevereiro de 1936 casou com Dona Maria Aurora Gonçalves dos Santos, com quem teve três filhos: António Gonçalves dos Santos, que casou com Dona Elvira Maria Pereira Amaral dos Santos; José Alberto Gonçalves dos Santos, que casou com a professora Dona Maria de Lurdes Guimarães Nogueira dos Santos; e Dona Maria de Fátima Gonçalves dos Santos Pando, que casou com António Eugénio Baptista Pando.
Foi um dos fundadores da Caixa de Crédito Agrícola da Póvoa de Lanhoso, onde exerceu funções executivas até 1981, desempenhando também o cargo de secretário da comissão permanente de avaliação dos prédios urbanos no concelho da Póvoa de Lanhoso. Destacou-se como vogal da junta da Póvoa de Lanhoso durante mais de duas décadas, desempenhando o cargo de secretário daquele órgão administrativo local, entre janeiro de 1951 e setembro de 1974.
Faleceu na Portela, lugar onde nascera e sempre habitara, aos 76 anos de idade, em 1 de junho de 1982, indo a sepultar no cemitério municipal da Póvoa de Lanhoso.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Feliciano Carlos Silva Vieira (1888-1977) - Aferidor do município, presidente da junta de Taíde, mesário da Misericórdia

Feliciano Carlos Silva Vieira (1888-1977) - Aferidor do município, presidente da junta de Taíde, mesário da Misericórdia

Feliciano Vieira era natural da freguesia de Taíde, concelho da Póvoa de Lanhoso, nasceu a 15 de junho de 1888, filho de António da Silva Vieira e de sua mulher Amélia Lucinda da Natividade, proprietários de terras no lugar de Quintela.
Fez a instrução primária na sua freguesia, seguindo depois para Braga onde frequentou o seminário, sem concluir os chamados “preparatórios”.
Ainda jovem, foi presidente da junta de Taíde e, em 1919 ocupava o cargo de regedor da mesma freguesia. Neste mesmo ano, encontrou colocação como ajudante na tesouraria da fazendo pública da Póvoa de Lanhoso. Em maio de 1927 foi nomeado por despacho do ministro da justiça como ajudante de escrivão para o tribunal da mesma comarca. Em meados da década de 1930 foi admitido como funcionário do município, com o cargo de aferidor de pesos e medidas, no qual se manteve por mais de duas décadas.
Em abril de 1930 foi admitido irmão da Misericórdia e Hospital António Lopes da Póvoa de Lanhoso, sendo vogal da sua mesa administrativa entre 1934 e 1944.
Faleceu, com 88 anos de idade, a 20 de janeiro de1977.

JAC

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

José Maria de Matos Cruz (1877-1968) - Ourives, mesário e benfeitor da Misericórdia

José Maria de Matos Cruz nasceu na freguesia de São Martinho de Travassos, concelho da Póvoa de Lanhoso, a 25 de agosto de 1877, filho legítimo de José Vieira, ourives de profissão, e de sua mulher Teresa Maria da Cruz, proprietária, ambos naturais de Travassos, em cujo lugar de Leiradela moravam, neto paterno de avô incógnito e de Josefa, viúva, e materno de José António da Cuz e de Antónia Laura[1].
De seu pai herdou a profissão, afazer que desde há vários séculos honrava a freguesia de Travassos através dos seus mestres ourives, que José Maria de Matos Cruz desempenhou por longos anos. Era também dono de um significativo conjunto de propriedades agrícolas, às quais foi juntando outras por si adquiridas e que o transformaram num dos grandes proprietários daquela aldeia, situada à margem esquerda do rio Ave.
Entre 1926 e 1942, foi dirigente da confraria de Nossa Senhora de Porto d’Ave e, na década de 1940, presidente da junta de freguesia de Travassos. Admitido irmão da Santa Casa em maio de 1930, viria a ser seu mesário entre julho de 1934 e 2 de janeiro de 1960, tornando-se num dos dirigentes que mais tempo se manteve em funções na mesa da irmandade. Fez, ao longo de vários anos, parte do conselho municipal em representação da Misericórdia.
Morreu em 12 de dezembro de 1968, aos 91 anos.

JAC



[1] ADB, Paroquiais de Travassos, Baptismos, 1862-1883, fls. 109v.-110.


domingo, 23 de dezembro de 2018

Manuel Duarte da Silva (1881-1965) - Barbeiro, decorador de festas e primeiro secretário da junta da Póvoa de Lanhoso




Manuel Duarte da Silva (1881-1965) - Barbeiro, decorador de festas e primeiro secretário da junta da Póvoa de Lanhoso


Nasceu no lugar de Fonte de Rei da freguesia de Lanhoso, concelho da Póvoa de Lanhoso, em 18 de novembro de 1881, filho legítimo de Severino Manuel da Silva, exposto da Roda da Póvoa e barbeiro de profissão, e de sua mulher, D. Teresa de Jesus de Carvalho, costureira. Era neto materno de Emílio Vicente Machado e de Antónia Rosa de Carvalho. Por ser filho de Severino, era popularmente conhecido como o “Manuel do Severino”.
Em 1 de agosto de 1910 casou com Sara das Boas Novas Leite, nascida em 18 de março de 1892. O casal passou então a residir no lugar do Horto. Foram pais de D. Maria Aurelina da Silva, que casou com António Pereira Neves; D. Ana Maria da Silva, casada com Albino José de Carvalho; D. Delmira Rosa da Silva, casada com Nicolau Martins Pereira depois de viúva de seu tio António Carlos da Silva, o "Labita"; D. Georgina Lina da Silva, casada com Carlindo de Oliveira e Silva; D. Sara Manuela da Silva e D. Arminda de Jesus da Silva, casada com Cristiano Oliveira e Silva, e também de Flávio da Silva, casado com D. Delfina Rosa Fernandes; Adriano Rosas da Silva, casado com D. Adília de Jesus Gaspar, e José Augusto da Silva, casado com D. Glória Gonçalves de Sousa.
Foi um importante profissional de barbearia, durante toda a sua vida, com estabelecimento no coração da vila da Póvoa. Na junta de freguesia, ocupou o lugar de tesoureiro durante o primeiro mandato (1930). Destacou-se também como decorador e iluminador de festas e romarias, quer nas muitas que nas décadas iniciais do século XX se realizavam na vila e freguesias do concelho, quer deslocam-se para decorar outras festividades, como a Feira da Ladra em Vieira do Minho ou o São Bento da Porta Aberta, em Terras de Bouro. Era um excelente construtor de aeróstatos ou balões de ar quente. Teve um filho, a quem na terra chamavam popularmente o "Zé da Sara", que lhe herdou a arte para estes balões, os quais fazia muitas vezes pelo São José.
Manuel Duarte da Silva viria a falecer na Póvoa de Lanhoso em 24 de novembro de 1965, aos 84 anos de idade.
Anote‑se que era o avô do atual presidente da câmara municipal da Póvoa de Lanhoso, Avelino Silva.

JAC

D. Maria Branca Pereira da Costa Martins (1893-1977) – Professora e benfeitora

Professora D. Maria Branca

D. Maria Branca Pereira da Costa Martins (1893-1977) – Professora e benfeitora

D. Maria Branca Pereira da Costa Martins nasceu na freguesia de S. João de Souto, concelho de Braga, no dia 8 de junho de 1893, filha legítima de Ernesto Pereira da Costa, proprietário naquela cidade, e de sua mulher D. Maria da Apresentação da Costa Arnoso, naturais, ele de S. Pedro de Maximinos, onde se receberam esposos, e ela de S. João de Souto, desta paroquianos e moradores na Rua do Anjo, bem no centro da cidade, próxima da igreja de Santa Cruz, do Hospital de S. Marcos e da Sé primacial; era neta paterna de Manuel Domingues Dias Pereira e D. Narcisa Emília da Costa Pereira, e materna de António José da Costa Arnoso e D. Narcisa Rita de Sousa Arnoso. Foi padrinho de batismo da menina o reverendo João de Deus da Silva Ferraz, abade de S. Martinho de Galegos, concelho de Barcelos, e madrinha Nossa Senhora a Branca, "tocando [a cabeça da menina] com a coroa de Nossa Senhora a Branca a avó paterna[1]. Embora no assento de batismo a criança apareça identificada apenas com o nome de Maria, é certo que o segundo nome, Branca, lhe adveio da madrinha escolhida, como à época acontecia quando os pais eram muito devotos de um Do seu casamento com o Dr. Adriano Vieira Martins teve 4 filhos, a saber:
1 - Jorge Pereira Martins (16/12/1928 - 14/11/1993). Casado com Maria Isabel de Oliveira Martins (08/11/1932). Tiveram: Luís de Oliveira Martins (28/05/1958); Fernando Jorge de Oliveira Martins (06/02/1960); Paulo de Oliveira Martins (06/12/1961); Maria Isabel de Oliveira Martins (09/10/1963); José Pedro de Oliveira Martins (08/04/1967).
2 - Corina Fernanda Pereira Martins (1/05/1921). Ficou solteira e sem filhos.
3 - Alípio Sérgio Pereira Martins (11/08/1922 - 28/12/1987) Foi casado com Ermelinda Amância Vasques Dourado Martins (20/06/1924 - 21/01/2016). Tiveram: Jorge Manuel Dourado Martins (19/06/1950); Maria Adriana Dourado Martins (21/05/1951); Maria Manuela Dourado Martins (03/06/1958).
4 - Maria Adriana Pereira Martins Cortez Marques (301/11/1932). Casou com José Maria Cortez Marques (29/02/1928 - 05/06/2014). Tiveram: Maria Alexandra Martins Cortez Marques (21/03/1961); Maria Clara Martins Cortez Marques Cruz (26/02/1963); Maria Teresa Martins Cortez Marques Graça (11/08/1965); Pedro Maria Pereira Martins Cortez Marques (20/03/1967); Nuno Maria Martins Cortez Marques (11/09/1969); Maria Margarida Martins Cortez Marques (13/10/1971).
Adriano Vieira Martins faleceu na Póvoa de Lanhoso em 15 de junho de 1937, deixando-a viúva aos 40 anos e com quatro filhos ainda por acabar de criar. As filhas ainda vivas recordam-na como “esposa, mãe e avó exemplar, e que soube sempre ocupar um lugar especial e de doação aos mais carecidos na aldeia de Fontarcada à qual se dedicou enquanto ali viveu como se fosse a sua terra natal”.
D. Maria Branca Pereira da Costa Martins faleceu em Maximinos, Braga, onde habitou com a filha Adriana Martins Cortez Marques os últimos anos da sua vida, em 19 de março de 1977.

José Abílio Coelho





[1] ADB, Livro de assentos de paroquiais de S. João de Sousa, Braga, misto nº 17, 18931894, fls. 25-25v.