sábado, 16 de abril de 2011

Adriano Carlos Simões Veloso de Almeida (1879-1938) - Advogado e político

Adriano Carlos Simões Veloso de Almeida nasceu na Casa do Ribeiro em São João de Rei, a 13 de Novembro de 1879, tendo falecido em Braga no dia 17 de Outubro de 1938. Licenciado em Direito, foi professor da Escola do Magistério Primário de Braga, advogado e conservador do Registo Civil e Predial da Póvoa de Lanhoso. Foi uma influente figura da Póvoa no primeiro quartel do século XX, tendo sobre si recaído a escolha dos influentes do concelho no rescaldo da «Monarquia do Norte», que o indicaram ao governador civil para presidente da Comissão Municipal, cargo que exerceu durante alguns meses. Coube-lhe, assim, presidir à cerimónia de reinstalação dos órgãos republicanos no concelho, em Fevereiro de 1919.

José Abílio Coelho

Custódio António da Silva (1897-1953) — Médico e político

Custódio António da Silva nasceu na freguesia de Friande, a 15 de Abril de 1897, tendo falecido na Póvoa de Lanhoso em 23 de Fevereiro de 1953. Era filho de José Maria da Silva e de sua mulher dona Maria Angelina Leite da Silva, ele natural de Vieira do Minho e ela de Friande, onde o casal habitava.
Licenciado em medicina, passou a exercer clínica na Vila da Póvoa, onde granjeou enorme prestígio profissional como médico e especialmente como humanista. Teve um filho de uma relação de juventude, que viria a falecer muito novo. Mais tarde, conheceu em Lisboa dona Sibilina de Jesus Torres da Costa (1913-1978), com quem viveu até ao fim dos seus dias. Durante alguns anos, morou numa pensão local; mais tarde, como a vida profissional lhe permitisse esse "luxo", especialmente a partir do momento em que passou a viver com dona Sibilina, alugou e morou na «Vila Aida», no lugar de São Pedro.
Foi um dos políticos mais aguerridos dos finais da I República. Foi presidente da Câmara entre 20 de Junho de 1929 e 24 de Janeiro de 1931, tendo-lhe cabido a tarefa de encomendar os primeiros projectos de urbanização para a vila da Póvoa, a pensar já nos melhoramentos que viriam a ser mais tarde introduzidos e que resultavam do legado de António Ferreira Lopes. Contudo, a partir de 1930, envolveu-se em grandes polémicas públicas, a primeira das quais teve como alvo o seu antigo correligionário e líder local do Partido Democrático, Dr. Adriano Martins, por causa do elevado salário que este auferia como médico da "Misericórdia e Hospital António Lopes".
Daí em diante viria a tornar-se num dos mais acérrimos opositores ao Estado Novo e aos seus representantes locais, tendo, por isso, sido perseguido e preso mais de uma vez. A memória oral conta sobre ele grandes façanhas, como a de, ao longo de algumas semanas, quando era procurado para ser detido pela PIDE, se ter escondido e dormido em jazigos de alguns cemitérios do concelho. Enquanto médico, ganhou a admiração do povo de todo o concelho, pela forma como tratava os doentes pobres, a quem não cobrava consulta e a quem ainda fornecia gratuitamente remédios.
Na década de 1990, o município atribuiu o seu nome a uma rua da Vila.

José Abílio Coelho

Abílio Areias (1873-1927) — Médico

Abílio Antero Vilela Areiras nasceu na Quinta de Couço, em Louredo (Póvoa de Lanhoso), no dia 11 de Dezembro de 1873, filho de António Vilela Areias e de sua esposa, Dona Elisa Casimira d’ Abreu Geão, e neto do conselheiro António Clemente de Sousa Geão, uma das grandes figuras políticas deste concelho nos medos do século XIX. 
Fez a instrução básica em casa, rumando depois para Braga, em cujo Liceu concluiu os «preparatórios», dali seguiu para o Porto, onde, na Escola Médico-Cirúrgica da quela cidade se formaria em medicina no ano de 1902.
Terminado o curso, quis voltar para a sua terra. Aqui casou com D. Gertrudes Vieira Ramalho, senhora natural de Vieira do Minho, passando a habitar na freguesia de Campo. Foi facultativo municipal, subdelegado de saúde e médico do Hospital António Lopes, mas foi, sobretudo, um clínico sempre ao serviço dos doentes pobres.
Amigo pessoal do Dr. Manuel Monteiro (primeiro governador civil de Braga nomeado pelo governo provisório da República), Abílio Vilela Areias foi o escolhido para ser o primeiro administrador do concelho da Póvoa de Lanhoso após a implantação da República. No entanto, dado exercer o cargo de médico municipal, a sua prestação política foi dada como incompatível com as funções deveria desempenhar. Não chegou a tomar posse, tendo sido substituído pelo também médico Adriano Vieira Martins. A partir dessa data, Abílio Areias passa a dedicar-se exclusivamente à medicina. Foi o médico mais importante para que a abertura do Hospital António Lopes tivesse sucesso que teve. Em mobilizado como “médico civil”, durante a I Grande Guerra, tendo recebido a patente de miliciano em 3 de Fevereiro de 1917 e a de capitão em 24 de Setembro do mesmo ano.
Faleceu de um ataque cerebral, quando trabalhava no seu consultório, na vila, no dia 23 de Maio de 1927.


José Abílio Coelho

João Augusto Bastos (1901-1965) — Poeta.

João Augusto Lopes Bastos nasceu na Póvoa de Lanhoso a 26 de Agosto de 1901, filho de João Albino de Carvalho Bastos e de sua esposa D. Elvira Maria Lopes Bastos.
Concluída a instrução primária na sua vila natal, frequentou o Liceu Nacional de Braga onde não chegou a concluir estudos secundários. Demonstrou, contudo, desde muito jovem, enorme dom para as letras, não fosse ele filho e sobrinho de artistas e escritores: seu pai, João Bastos, era um bom músico e sua mãe, “Vivi”, uma excelente actriz de teatro. Também os seus tios Albino e Paixão Bastos, foram poetas e jornalistas considerados.
Não obstante a capacidade que demonstrava para a literatura, ontem, como hoje, ser profissional das Letras nunca deu grandes resultados económicos e João Augusto Lopes Bastos, recomendado pelo seu tio-avô, António Lopes, emigrou para o Brasil nos inícios da década de 1920, onde trabalhou como escriturário. Doente, foi obrigado a regressar a Portugal poucos anos depois. Na Póvoa, depois de regressar do Brasil, viria a apaixonar-se pela jovem Adelina Cândida Fernandes, com quem se casar-se em 1930. Desta união nasceram dois filhos: João Augusto Bastos (hoje coronel reformado do exército) e Anita Bastos Granja.
Pelos meados da década de 1930, fixou-se em Lisboa, onde se dedicou ao comércio e escreveu poesia e crónica, tendo participado em alguns dos mais consagrados prémios literários nacionais — conquistando grande parte deles. Foi distinguido com a Caravela de Ouro, do 1º Centenário de Viana do Castelo; Prémio Embaixador do Brasil, no Jogos Florais de Sintra; Prémio Embaixador de Espanha e do Ayuntamiento de Badajoz nos Jogos Florais Luso-Galaicos e Prémio de Poesia Lírica, nos Jogos Florais do Grupo Desportivo da CUF. Já após o seu falecimento, foi-lhe atribuído pelo Júri dos Jogos Florais de Leiria o título de “Príncipe dos Poetas”. Foi membro da célebre tertúlia “Tábua Rasa”, frequentada pela élite da poesia portuguesa, coloborou na Revista “A Charada”, órgão da “Tertúlia Edípica”, tendo sido, ainda, colaborador dos jornais locais “A Póvoa de Lanhoso” e “Maria da Fonte”.
Da sua produção literária destacam-se os livros “Sol” (1948), “Terras que Deus Abençoou” (1958) e “Fado Corrido”, editado já depois da sua morte pelos filhos. Em 1997, foi editado o livro “Inéditos de João Augusto Bastos”, volume organizado e prefaciado por José Abílio Coelho.
João Augusto Lopes Bastos viria a falecer na Parede no dia 8 de Dezembro de 1965.

José Abílio Coelho

Arlindo Lopes (1886-1947) — Benemérito e primeiro provedor da Misericórdia

Benemérito de quase todas as instituições povoenses do seu tempo, Arlindo António Lopes foi um dos “motores” da criação da Santa Casa da Misericórdia local, nascida para gerir o Hospital que o grande Benemérito e seu tio António Ferreira Lopes fundou e quis deixar de herança aos conterrâneos, nomeando-o seu principal testamenteiro. Arlindo António Lopes foi, pois, naturalmente, o homem escolhido, pelos seus pares, na fundação, para ser o primeiro provedor. Foi ainda, e ao longo de vários anos, presidente dos Bombeiros. Foi benemérito de quase todas as instituições da Póvoa de Lanhoso a quem dava regularmente excelentes ajudas. Ao SC Maria da Fonte ofereceu terreno para alargamento do campo dos Moinhos Novos. Aos pobres da terra, continuou a abrir as portas do Palacete das Casas Novas, quando ali morou com a família após o falecimento do tio Lopes de quem, nos últimos anos de vida deste, foi talvez o maior confidente.
Contudo, a terra apenas o integrou na toponímia há pouco mais de dez anos, atribuindo o seu nome a uma rua periférica, quando, o que ele merecia, era ter o nome numa das praças maiores.
Nascido na cidade do Rio de Janeiro a 14 de Maio de 1886, era filho de Emílio António Lopes  — irmão de António Ferreira Lopes — e de sua primeira esposa, a açoreana D. Maria Augusta Lopes. Cresceu no Brasil, quando o pai ali se encontrava emigrado, tendo regressado à Póvoa pelos trinta e dois anos de idade. Aqui conheceu D. Maria da Conceição Guimarães, filha do Senhor da Villa Beatriz, Francisco Antunes de Oliveira Guimarães, com quem viria a casar-se em 1922 e com a qual viria a ter cinco filhos: Arlindo, Maria Elvira, Fernando, Anita e Carmen Guimarães Lopes.
Foi, juntamente com os irmãos Américo, Óscar e Maria Elvira, um dos grandes herdeiros do tio António Lopes. Morou na “Casa do Eirado”, no centro da Vila, e mais tarde adquiriu ao irmão Américo o palacete das Casas Novas, onde viria a habitar alguns anos.
Para além da gestão dos seus negócios, foi um homem que, até à morte, se dedicou às causas da Póvoa, quer como dirigente, quer como benemérito. Foi um dos Lopes que não desmereceu o apelido e o exemplo do seu tio António Ferreira Lopes.
Arlindo António Lopes viria a falecer, numa clínica do Porto onde tinha sido internado de urgência por problemas cardíacos, no dia 14 de Dezembro de 1947.

José Abílio Coelho

José Cândido Sampaio Rebelo (1882-1969) - Escrivão-notário e dirigente associativo

Figura muito considerada no meio social e político povoense da primeira metade do século XX, José Cândido Sampaio Rebelo nasceu em S. Gens de Calvos a 15 de Fevereiro de 1882. Filho de Lino António Rebelo, que foi escrivão-notário na nossa vila, proveniente de Anissó-Vieira do Minho (dos proprietários José João Rebelo e D. Antónia Rita da Cruz Oliveira), e de D. Maria Victória de Sampaio Lobo, proveniente de S. Gens de Calvos (do casal Dr. João António Ferreira de Sampaio e D. Maria Angelina da Costa Lobo, por sua vez tios do botânico Gonçalo Sampaio).
José Cândido, que tinha como único irmão João Olímpio Sampaio Rebelo (armador, com estabelecimento aberto na nossa vila em Dezembro de 1900), exerceu as funções de escrivão de Direito e, ocasionalmente, de notário na Póvoa de Lanhoso. Na década de 20 participou em quase todas as principais iniciativas povoenses, pertencendo às comissões de fundadores da Paróquia Nossa Senhora do Amparo, do processo de criação da respectiva Freguesia e da Santa Casa da Misericórdia, bem como à comissão de reorganização da Associação dos Bombeiros Voluntários. Nos princípios da década de 30 foi vereador da Câmara Municipal. Contemplado expressamente no testamento de António Ferreira Lopes, participou ainda em várias comissões de festejos do Município, nomeadamente as encarregadas de organizar a celebração dos aniversários do Hospital António Lopes.
Em 24 de Setembro de 1932 casou com Maria Angelina de Magalhães e Vasconcelos Chaves, da Casa da Pereira em S. Martinho de Dume. Residiu sempre na vivenda (em estilo chalé, de influência arquitectónica brasileira) que existiu junto à Igreja Paroquial da vila, na designada Quinta das Lourenças, que herdara dos pais, e na década de 40 ainda trabalhou no Grémio local.
 Em finais de 1948 foi viver para Braga, já aposentado, acompanhando os estudos dos seis filhos e assentando residência em S. Vicente. Encontrou colocação no Sindicato Nacional dos Operários da Construção Civil, onde foi chefe da secretaria durante alguns anos. Sempre saudoso da sua Póvoa, viria a falecer na Bracara Augusta em 3 de Abril de 1969.

Rui Rebelo

António Celestino (1917-2013) — Escritor

António Celestino
António Celestino — António Simões Celestino da Silva, de seu nome completo — nasceu na Vila da Póvoa de Lanhoso no dia 24 de Maio de 1917, filho de Júlio Celestino da Silva e de D. Virgínia das Dores Simões Veloso de Almeida.
Em 1918 seu pai, comerciante local, ex-presidente da Câmara e segundo comandante dos Bombeiros Voluntários morreu vitimado pela Pneumónica, doença que nesse mesmo ano ceifou dezenas de milhares de vidas em Portugal. O pequeno António, com um ano de idade, é levado por D. Virgínia para a multi-secular Casa do Ribeiro de São João de Rei, propriedade da família materna há quatro séculos. Ali dá os primeiros passos sob o olhar atento da mãe, das tias e do avô João José Simões Veloso de Almeida. Ali cresce, livre como os pássaros numa pequeníssima aldeia do interior minhoto.
A partir de 1923 frequenta a escola primária da vizinha freguesia de Monsul, depois de ter aprendido as primeiras letras com a mãe através da Cartilha de João de Deus. Em 1927, passa a estudar em Guimarães, onde frequenta o Liceu Martins Sarmento e, a partir de 1930, matricula-se e muda-se para o Liceu Sá de Miranda, em Braga.
Porém, o futuro do jovem, descendente de uma família com pergaminhos e enormes propriedades agrícolas, mas sem grandes dinheiros, não se adivinhava fácil e, apesar da «oposição do coração materno» (Celestino era filho único...) em 1939 parte para o Brasil onde, na cidade do Rio de Janeiro, começa a trabalhar como funcionário do “Banco Irmãos Guimarães”. Anos mais tarde e depois de muitos sacrifícios e canseiras, Celestino ascende ao cargo de director, transferindo-se para a Bahia, onde vai chefiar a filial daquela cidade.
Ali se casa com D. Cândida Rosa Leal, descendente de uma família tradicional baiana, união da qual nascem as suas três filhas: Virgínia Maria, Maria da Luz e Maria do Carmo, que tem também um percurso no campo das letras. Entretanto, é destacado para dirigir a sucursal de Recife, voltando depois à sede, no Rio de Janeiro. Mas o seu futuro estava traçado para a cidade do Salvador da Bahia de Todos os Santos, onde voltaria meses depois para não mais se ausentar, a não ser, muito tempo depois, quando decidiu regressar definitivamente à sua terra natal.
Na Bahia, influenciado pelo mítico ambiente da antiga capital da província portuguesa do Brasil, António Celestino envolve-se na vida social e intelectual da cidade e faz amigos fraternais como Jorge Amado e Zélia Gattai, Vinícius de Morais, Carybé, Dorival Caymmi, Floriano Teixeira, Jorge Calmon, Mário Cravo, Raimundo de Oliveira, Carlos Bastos, José Calazans, Fernando Sabino, Calazans Neto, Pierre Verger,  João Ubaldo Ribeiro ou o português Agostinho da Silva — que ali estava instalado como professor da Universidade Federal. Passa a escrever regularmente na «Tribuna da Bahia» crónicas sobre arte. Torna-se presidente do Museu de Arte Moderna da Bahia, do Hospital Português, do Instituto de Cegos, do Gabinete Português de Leitura, conselheiro-fundador do Instituto Brasileiro de Oftalmologia e Prevenção da Cegueira, mesário da Ordem Terceira de S. Francisco, curador da Fundação-Casa de Jorge Amado. Torna-se cronista do diário «A Tarde». Fruto das suas ligações a instituições culturais, encaminha para a Bahia grandes intelectuais portugueses de quem se torna amigo: Vitorino Nemésio, Gaspar Simões, Jorge de Sena, Fernando Namora, David Mourão-Ferreira, J. M. Santos Simões, Alçada Baptista... Pelas suas casas baiana e minhota passam grandes escritores, pintores, músicos como Gabriel García Márquez, Mário Vargas Llosa, Fernando Assis Pacheco, Júlio Pomar, José Hermano Saraiva, George Calmon, Cargaleiro, Dário Castro Alves, Rodolfo Teixeira, Norberto Odebrechet, José Franco, Raimundo Perazzo, Thales Azevedo, Vivaldo Costa Lima, Reynaldo dos Santos, Neves e Sousa ou Frederico de Freitas. Convidado para a direcção do Banco Económico da Bahia, introduziu no Brasil o financiamento bancário para a compra de obras de arte.
Viúvo e algo cansado, retira-se da banca, em 1985, regressando a Portugal onde, na Velha Casa do Ribeiro, que entretanto adquiriu ao tio padre José Carlos, passa a residir. Em férias, volta à Bahia várias vezes, onde vem a casar, em segundas núpcias, com a professora Maria da Conceição Oliveira.

É personagem, entre outros, de vários romances de Jorge Amado e autor de livros de crítica de arte, contos, de uma monografia sobre a sua aldeia natal e de vários outros de poesia, dentre os quais destacam “Poemas de Cera Perdida” e “Às vezes fico pensando se isto será poesia”.
Membro da Academia de Letras da Bahia, tem várias condecorações portuguesas e brasileiras, destacando-se as de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique; Grande Oficial da Ordem de Benemerência; Cidadão Honorário da Cidade do Salvador; e a de Conselheiro da União das Comunidades Portuguesas.

Faleceu, aos 95 anos de idade, no dia 21 de Abril de 2013.

http://www.youtube.com/watch?v=aMa4ySziemM 

José Abílio Coelho