sábado, 16 de abril de 2011

João José Simões Veloso de Almeida (-) — Proprietário e político

Natural de S. Mamede de Gondariz, concelho de Terras de Bouro, João José Simões Veloso de Almeida era filho de António Vicente Simões e de D. Maria Rosa Velloso de Almeida. Casar-se com D. Rita Joaquina de Almeida, proprietária da Casa do Ribeiro na freguesia de São João de Rei (Póvoa de Lanhoso), tornando-se pelo casamento um dos maiores proprietários agrícolas do concelho. O casal teve vários filhos, alguns dos quais iriam ter papel de relevo durante a I República. João José Simões Veloso de Almeida foi presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso ainda durante a Monarquia, vontando a sê-lo, entre 1914 (eleito nas primeiras eleições autárquicas após a implantação) e 1918. Foi também, por diversas vezes, administrador do concelho da Póvoa de Lanhoso. À sua morte, a Casa do Ribeiro passou para as mãos do filho padre José Carlos Simões Veloso de Almeida, que era professor do Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães

José Abílio Coelho

Gonçalo Sampaio (1865-1937) — Cientista

 Tendo-se afirmado como um dos mais notáveis povoenses de sempre, Gonçalo António da Silva Ferreira Sampaio teve um percurso político controverso, como iremos ver. Nascido em S. Gens de Calvos, em 1865, filho de D. Libânia da Conceição Ferreira Sampaio, oriunda da Casa da Botica daquela freguesia, e do Padre Gonçalo António da Silva, fez os «preparatórios» em Braga, tendo depois frequentado a Universidade de Coimbra e a Academia Politécnica do Porto. Não tendo concluído curso algum, chegou a ser funcionário da Academia Politécnica como naturalista-adjunto, mas, as sua aptidões eram tais que, em 1912, viria a ser contratado como professor da Faculdade de Ciências do Porto. Os seus estudos sobre Botânica transformaram-no não só numa entidade mundialmente respeitada, como, em poucos anos, lhe garantiram o acesso à Catedra. Foi também, em paralelo, um notável pesquisar da etnografia musical portuguesa, especialmente da Minhota. Publicou centenas de livros e opúsculos, não só sobre botânica, mas, também, sobre Folclore. Em termos políticos, Gonçalo Sampaio começou, ainda estudante em Braga, por ser um fervoroso republicano. Mostram-nos os textos que, nas décadas de 1880 e 1890, publicou no semanário povoense «Folha Democrática», que fundou em parceria com Albino Bastos e do qual era redactor principal. «É necessário correr com estes malandros [os Braganças], é necessário estabelecer um governo económico, é necessário implantar a república em Portugal», escrevia em 1888. Contudo, com o passar dos anos, mudou radicalmente as suas opções políticas: em 1906 era apoiante de João Franco e do Partido Regenerador-Liberal, em 1908 director do diário regenerador-liberal «O Nacional» e, em 1919, foi um dos mais empenhados apoiantes de Paiva Couceiro e da «Monarquia do Norte». Após o fracasso desta tentativa de reposição monárquica, chegou a ser detido por ter participado pelo lado dos Monárquicos nos acontecimentos que ocorreram em praticamente todo o norte do país em Janeiro e Fevereiro de 1919. Gonçalo Sampaio faleceu no Porto em 28 de Julho de 1937.

José Abílio Coelho

Manuel Inácio de Matos Vieira (1872-1964) — Farmacêutico e benemérito

Manuel Inácio de Matos Vieira nasceu na Casa da Pedreira,  da freguesia de Verim (Póvoa de Lanhoso) em 6 de Novembro de 1872, filho de Manuel António Vieira e de sua mulher Maria Joaquina de Matos. Era o segundo de nove irmãos, dos quais o mais velho foi o padre Francisco de Matos Vieira. Teve dois irmãos que emigraram para o Brasil, um irmão médico e três irmãs, uma das quais vivei solteira e foi sua confidente até a morte.
Formou-se farmacêutico na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, a margem da qual funcionava então a escola de Farmácia. Regressado à Póvoa de Lanhoso, adquiriu uma farmácia já existente, mudando-lhe o nome para «Farmácia Matos Vieira», que fez crescer e dirigiu até à morte (e que ainda hoje existe com a mesma designação).
Fervoroso simpatizante da Monarquia, foi, vereador da Câmara nos anos finais da Monarquia Constitucional e, mais tarde, presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso em República, entre  2 de Janeiro e 16 de Setembro de 1918, durante parte do chamado Sidonismo. Saiu por vontade própria, demitindo-se depois de dois episódios de abuso de poder de soldados do exército, que desconsideraram e desautorizaram o seu vice-presidente, Henrique Vasconcelos Rocha, durante a crise dos cereais. Exigiu ao governador civil um pedido de desculpas e, como este o não fizesse, demitiu-se, no que foi seguido por todos os seus vereadores. Foi, ainda, mesário da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso e seu tesoureiro durante vários mandatos. Ao morrer, em 1964 a grande parte dos seus bens às Irmãs Teresianas, dirigidas por sua sobrinha irmã Luzia de Mattos Vieira. Numa das propriedades por si legadas, existe hoje uma escola destinada a crianças da freguesia de Verim, dirigido exactamente por irmãs Teresianas.

José Abílio Coelho

Francisco Antunes de Oliveira Guimarães (f. 1837) — Benemérito

Francisco Antunes de Oliveira Guimarães, nasceu em Santo Emilião (Póvoa de Lanhoso), no seio de uma família de medianos proprietários agrícolas. Concluída a instrução primária, e a exemplo do que acontecia, então, com dezenas de milhar de outros jovens portugueses, partiu para o Brasil, com seu irmão Adolfo, onde se afirmou numa vida comercial de sucesso. Aos 18 anos, em parceria com Adolfo Guimarães, abriu uma casa de lotarias a que chamou “A Esquina da Sorte”. Anos depois, o irmão regressou já suficientemente remediado a Portugal, mas Francisco Guimarães escolheu ficar, transformando a casa de jogos numa casa bancária. Nos finais do século XIX voltou à terra natal, onde casou com D. Beatriz Freitas. Para ela começou a construir a belíssima Casa da Villa Beatriz (Santo Emilião), mas ficou viúvo antes de "0 castelo" ter ficado concluído, em 1904. Embora residindo a maior parte do ano em Portugal, Francisco Guimarães manteve os negócios no Brasil.  Viúvo, voltaria a casar-se, desta vez com uma senhora da freguesia de S. Martinho de Campo, D. Rosa de Macedo. Teve vários filhos deste segundo casamento, tendo-se destacado, por terem emigrado e dado continuidade à casa bancária do pai no Rio de Janeiro, os irmãos David e Francisco Guimarães. Esta casa bancária seria, posteriormente, transformada no “Banco Irmãos Guimarães». Uma outra filha, casou com um dos sobrinhos do benemérito povoense António Ferreira Lopes, Arlindo Lopes, ligando ambas as famílias. Em 1931, Francisco Antunes de Oliveira Guimarães dotou a sua freguesia de Santo Emilião com uma belíssima e moderna escola primária, que equipou com os mais modernos materiais escolares. A sua benemerência alargou-se, contudo, a doações à maioria das instituições da Póvoa de Lanhoso. Foi Presidente da Câmara entre Dezembro de 1926 e 2 de Janeiro de 1928. Foi um dos testamenteiros de António Ferreira Lopes e, nessa qualidade, um dos fundadores da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso. Francisco Antunes de Oliveira Guimarães viria a falecer aos 78 anos, de broncopneumonia, pelas 23 horas do dia 8 de Maio de 1937.

José Abílio Coelho

Alfredo Ribeiro (1867-----) — Advogado e político

Natural da Vieira do Minho, onde nasceu a 11 de Fevereiro de 1867, Alfredo António Teixeira Ribeiro chegou à Póvoa de Lanhoso com um curso de Direito e muita vontade de ser alguém. Casou com D. Elvira Amália Geão Areias, oriunda de uma das mais influentes famílias locais e foi, em cumulação de funções advogado e notário. Foi uma das mais influentes figuras de toda a primeira metade do século XX povoense. Como advogado, teve sempre a melhor clientela, desde os mais sonantes capitalistas às causas oficiais. Como homem público, esteve envolvido na vida de quase todas as instituições povoenses. Durante mais de uma década foi director do semanário "Maria da Fonte", sendo, sob sua direcção, que o jornal passou de Monárquico-Progressista a apoiante da República. A partir de 1910, a sua influência aumentou significativamente. Tentou sempre manter-se fora da política activa, mas acabou por integrar, com o cargo de vice-presidente, a Câmara Municipal que governou o concelho entre 27 de Agosto e 10 de Dezembro de 1926, em plena afirmação da Ditadura Militar imposta pelo golpe de 28 de Maio de 1926. Afastado poucos meses depois de ter aceitado o cargo, não mais voltou à política, mas foi até ao fim dos seus dias, em 19 de Julho de 1951, o advogado da Câmara. Alfredo Ribeiro foi pai de uma plêiade de grandes povoenses, de entre os quais se destacam pelas funções públicas que viriam a assumir: António Belarmino (vereador da Câmara), Armando Gonçalo (benemérito), Abílio Hernani (Provedor da Misericórdia durante cerca de duas décadas) e José Joaquim Teixeira Ribeiro (Professor e Reitor da Universidade de Coimbra e Vice-Primeiro Ministro de Portugal).

José Abílio Coelho

Pe. Júlio Sampaio (1871-1914) - Sacerdote e político

Júlio Augusto Ferreira Sampaio, de seu nome completo, nasceu na freguesia de S. Gens de Calvos a 20 de Dezembro de 1871. Era filho de D. Arminda da Anunciação Ferreira Sampaio, oriunda da Casa da Botica daquela freguesia, e de pai incógnito. Ordenou-se sacerdote nos Seminários de Braga, vindo logo depois assumir a chefia da sua paróquia natal. Originário de uma família de simpatias monarquias — embora, em jovem, seu primo Gonçalo Sampaio tenha sido um fervoroso simpatizante republicano, simpatia que mais tarde abandonou para ser um dos participantes activos nos episódios da "Monarquia do Norte", no Porto — Júlio Sampaio militou no Partido Regenerador, o mais conservador dos dois grandes partidos monárquicos de então. Ainda não tinha trinta anos quando foi eleito vereador da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, tornando-se a partir de então, um dos rostos mais visíveis dos regeneradores do concelho, liderados pelo Dr. Lisboa.
Foi administrador do concelho da Póvoa de Lanhoso por várias vezes entre 1908 e 1910, sendo o detentor do cargo quando, no dia 5 de Outubro de 1910, a República foi implantada em Portugal. No dia 11 do mesmo mês e ano, esteve presente na passagem de testemunho ao novo administrador do concelho, Dr. Adriano Vieira Martins, tendo proferido breves, mas dignas palavras: “(…) Neste momento histórico preciso frisar bem que se ontem combatia com lealdade ao lado da monarquia, que baqueou, hoje, em face do novo regime, diante do qual me curvo respeitosamente, se ele procurar a integridade e bem-estar da pátria e não hostilizar a religião de que sou ministro, não ponho dúvida em exclamar: bem-vindo seja esse regime, viva a república portuguesa!”.
A partir desta data afastou-se da política activa, dedicando-se por inteiro à paróquia de S. Gens de Calvos, onde viria a falecer, de doença prolongada, com apenas 42 anos de idade, no dia 31 de Maio de 1914.

José Abílio Coelho

João Carvalho (1873-1962) — Tipógrafo

João Augusto Ribeiro Carvalho nasceu na freguesia da Sé, em Braga, em 1873, tendo vindo para Póvoa de Lanhoso em 1901, como empregado do jornal «Maria da Fonte». Foi um dos primeiros homens assumidamente de esquerda que se instalou na vila. Simpatizante dos ideais comunistas, carinhosamente, por isso mesmo, chamado de «Camaradinha». Foi amigo de todos os homens de esquerda que, na terra, passaram pela política e, quando mais tarde, conseguiu comprar e tornar-se dono do jornal para onde viera trabalhar como tipógrafo, colocou-o sempre ao serviço desse grupo de amigos. Foi preso durante o Sidonismo, e voltou a sê-lo por mais de uma vez na vigência do Estado Novo, que combatia ferozmente. Sob a sua alçada, o «Maria da Fonte» assumiu o papel de jornal da oposição ao Estado Novo, em confronto com o jornal «Póvoa de Lanhoso» que servia os interesses dos apoiantes do Doutor Oliveira Salazar. Em 1950 entregou os destinos do jornal a seu filho Armando Eurico de Carvalho. João Carvalho viria a falecer na Póvoa de Lanhoso a 20 de Março de 1962.

José Abílio Coelho