sábado, 16 de abril de 2011

Armando Queiroz (1899-1942) — Comerciante, político e dirigente da Misericórdia

Natural de Prado, concelho de Vila Verde, onde nasceu em 1899, Armando Queiroz instalou-se bastante jovem na Póvoa de Lanhoso, como empregado de balcão da «Loja Central», então pertencente a Júlio Celestino da Silva. No Verão de 1917, estando o patrão bastante doente (viria a falecer ,vítima da Pneumónica, em Outubro de 1918), tomou por trespasse aquele estabelecimento, por mais de dez contos de reis. Tinha apenas 18 anos de idade. Daí em diante, afirmou-se quer como grande comerciante quer como uma das grandes figuras da terra no campo social e político. Foi vereador da câmara municipal e, nessa qualidade, o representante do município no funeral do benemérito António Ferreira Lopes, em Lisboa, em Dezembro de 1927. No ano seguinte, foi um dos fundadores da Misericórdia, tendo sido eleito secretário da Mesa, cargo que desempenhou durante vários anos. Assumiu mesmo, durante cerca de meio ano, o cargo de provedor substituto, dada a ausência do provedor efectivo, Arlindo António Lopes, no Brasil. Armando Queiroz viria a falecer repentinamente em Braga, aos 44 anos de idade, no dia 23 de Agosto de 1942, quando ali se encontrava com a família para baptizar a sua filha, há poucos dias nascida. O seu corpo foi a enterrar no cemitério de Prado no dia 24 de Agosto de 1942.

José Abílio Coelho

Francisco Tinoco de Faria (1925-2010) — Advogado e político

Francisco Xavier Sampaio Tinoco de Faria nasceu na cidade de Braga a 27 de Novembro de 1925, oriundo de uma família do baixo concelho povoense: era filho de D. Isabel Maria Ferreira Sampaio de Faria (falecida em Fevereiro de 1976, aos 86 anos de idade) e de Manuel Tinoco de Faria. Passaria, por isso, toda a sua infância na freguesia de Ferreiros (Póvoa de Lanhoso), onde os seus pais possuíam propriedades. 
Concluído o curso de Direito exerceu advocacia na Póvoa de Lanhoso, onde passou a residir, e em Braga, vindo a tornar-se «um Homem notável, um português ilustre, defensor dos princípios e dos valores da democracia». Nas eleições de 1969 integrou as listas da Oposição Democrática pelo distrito de Braga, com a coragem daqueles que lutavam contra o Estado Novo.
Foi um dos fundadores do Partido Socialista e, na sequência das eleições que se seguiram à revolução do 25 de Abril de 1974, foi eleito deputado à constituinte, de cujo labor resultou a magna carta.
À faceta de político empenhado em prol da cidadania, juntou como ninguém o seu múnus de advogado cuja grandeza e qualidades enquanto tribuno foi por todos justamente reconhecida, tendo sido um dos maiores entre os grandes. Por isso mesmo, aliás, foi chamado a integrar o histórico conselho geral da Ordem dos Advogados, no conturbado triénio de 1972-1974.
No mandato de 1989-1993 foi presidente da Assembleia Municipal da Póvoa de Lanhoso.
Foi casado com D. Amália Holbeche Tinoco de Faria e pai de João Manuel Holbeche Tinoco de Faria (ex-presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso) e de Maria Amália Holbeche Tinoco de Faria.
Eram seus irmãos: Maria Manuela (religiosa do Sagrado Coração de Maria), Maria Isabel, Manuel Joaquim (juiz desembargador, Luís António (major paraquedista falecido em combate) e José Luís (comandante da TAP).
 O Dr. Francisco Tinoco de Faria faleceu em Lisboa, onde residiu nos últimos anos da sua vida, a 25 de Novembro de 2010.

http://www.youtube.com/watch?v=dt9wFkOZb5g

                                                                                                                                                                                José Abílio Coelho

Carlos Alberto Vieira (-) — Proprietário e político

Natural da freguesia povoense de Águas Santas, onde era proprietário da quinta da Cerzeda, Carlos Alberto Vieira foi vereador eleito pelo Partido Progressista antes da implantação da República. Era monárquico assumido e, nessa condição, participou numa reunião que teve lugar na Casa da Botica da Póvoa de Lanhoso em Maio de 1915, na qual estiveram presentes, entre outros, o Conde de Carcavelos, o Visconde do Olival, António Joaquim de Matos, Domingos Soares, Francisco de Faria Tinoco, Alfredo Perdigão, José Maria da Costa Araújo e o padre Alberto Monteiro. Dessa reunião resultou a escolha de uma comissão monárquica concelhia, que Alberto Carlos Vieira integrava. Durante o Sidonismo, e após a demissão da Comissão Municipal presidida por Manuel Inácio de Matos Vieira, foi presidente da Câmara (desde Setembro de 1918 até à queda da "Monarquia do Norte", em Fevereiro do ano seguinte).

José Abílio Coelho

Albino Bastos (1866-1946) — Poeta e jornalista


Albino Osório de Carvalho Bastos nasceu na Póvoa de Lanhoso em 28 de Setembro de 1866, sendo o filho mais velho do comerciante João António de Carvalho Bastos e de sua esposa, Joaquina Rosa Pereira. Fez a instrução primária na Vila da Póvoa, seguindo depois para Braga onde frequentou estudos secundários. Cansado da vida de estudante, regressou à Póvoa de Lanhoso para se dedicar ao comércio, tendo fundado uma casa que vendia "fazendas e miudezas".
Aí, com Gonçalo Sampaio, fundou o jornal "Folha Democrática". Foi ainda fundador e director da segunda série do jornal "O Castelo de Lanhoso" e director-adjunto do semanário "Maria da Fonte". Foi uma das primeiras e mais expressivas vozes concelhias a defender a República. Autor de um conjunto de livros de poesia, não viria a ter, contudo, grande sorte como comerciante.
Do relacionamento de anos com uma senhora da terra  - Ana de Matos Fernandes, solteira, costureiras de profissão - teve dois filhos: Albino Osório, como o pai, nascido a 1 de Abril de 1909, e que viria a falecer em 28 de Abril de 1910, e Dário Fernandes Bastos, o poeta e contista sobre quem em breve publicaremos uma nota biográfica. Em 1911, vendeu a casa de fazendas que possuia a seu irmão José da Paixão Bastos e, em Julho de 1913 rumou ao Brasil[1], instalando-se no Rio de Janeiro. Ali se empregou numa casa comercial e se dedicou aos estudos, tendo obtido o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. Passou, a partir de então, a exercer advocacia no Rio de Janeiro, onde morava e se manteve solteiro.
Em 1932, aquando da partilha dos bens de seus falecidos pais, constituiu, a partir do Rio de Janeiro, procurador António de Almeida, de Fontarcada.
Depois de emigrar, continuou a enviar os seus textos para publicação no semanário "Maria da Fonte". Morreu no Brasil em Maio de 1946.

José Abílio Coelho


[1] Maria da Fonte, 07.1913


Padre João Crisóstomo (1866-1955) — Benfeitor

O reverendo João Crisóstomo Rodrigues de Faria nasceu na freguesia de Lanhoso a 16 de Agosto de 1866, tendo vindo a falecer em 31 de Maio de 1955. Sacerdote sem paróquia, num tempo em que as paróquias não chegavam para dar saída a tanta vocação sacerdotal, foi, durante décadas capelão do Hospital António Lopes. Mas o padre João Crisóstomo não ficou na memória do povo da Póvoa por essa razão, antes pelo seu coração caridoso para com os pobres e os doentes. Era frequente oferecer milho, legumes e até vinho da sua propriedade de Lanhoso não só ao Hospital da Misericórdia, mas, sobretudo, ao Asilo de S. José, criado na década de 1930 sob a protecção da Conferência de S. Vicente de Paula e que vivia quase exclusivamente da caridade de um conjunto de benfeitores. Os mais antigos ainda o recordam, já velhinho, ataviado no inverno com um coçado sobretudo, a visitar esta ou aquela família pobre. Sob o casacão levava sempre escondida alguma coisa para socorrer as necessidades daqueles a quem visitava. Até canhotas levava escondidas para ajudar alguns pobres a aquecerem-se nos rigorosos Invernos.
Foi um apaixonado republicano. Era na sua sepultura, no cemitério da Vila da Póvoa, que os simpatizantes da República depositavam um ramo de flores nas cerimónias comemorativas do “5 de Outubro”, como aconteceu até já depois do “25 de Abril”.
O padre João Crisóstomo faleceu na Póvoa de Lanhoso a 31 de Maio de 1955.

José Abílio Coelho

José Joaquim Teixeira Ribeiro (1908-1997) — Professor Catedrático e político

O Professor Doutor Teixeira Ribeiro com a família, numa visita à Quinta de Couço

Nascido na Rua dos Lisboa, na Vila da Póvoa de Lanhoso, no dia 4 de Outubro de 1908, José Joaquim Teixeira Ribeiro era filho do advogado e político local Alfredo António Teixeira Ribeiro e de sua esposa D. Elvira Amália Geão Areias Ribeiro, ele natural de Vieira do Minho, ela oriunda da Casa do Eirado, uma das mais importantes casas de família da terra.
Aprendeu as primeiras letras com os próprios pais e tias e, pelos seis anos, ingressou na Escola Conde de Ferreira, na vila natal, onde concluiu o ensino primário. Partiu então para Guimarães, onde iniciou os estudos liceais, que viria a concluir já no Liceu Nacional de Braga.
Aos 18 anos de idade, em Outubro de 1926, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra onde, aluno distinto, viria a obter a licenciatura com a classificação de 18 valores, em Julho de 1931. O seu caminho profissional não seria, contudo, a barra dos tribunais, antes o magistério universitário. Por isso, terminada a licenciatura, iniciou a preparação da sua tese de doutoramento, tendo prestado provas na mesma Universidade em Dezembro de 1934. Obteve, neste difícil teste às suas capacidades intelectuais e conhecimento científico, a alta classificação de 18 valores.
Concluído o doutoramento, José Joaquim Teixeira Ribeiro foi convidado para ensinar na Faculdade onde se doutorou, tendo iniciado o seu percurso como professor auxiliar, em 13 de Dezembro de 1934. Viria a scender à cátedra em 16 de Agosto de 1939, com pouco mais de trinta anos de idade.
Para além de professor, teve grande participação em estudos e projectos de cariz político-financeiro. Em 1945 foi relator de um projecto de reforma dos Estudos Jurídicos, apresentado pela sua Faculdade e, em 1952, criou o “Boletim de Ciências Económicas da Faculdade de Direito”. Assumiu, em 1970, a direcção da “Revista de Legislação e Jurisprudência”, cargo que manteve durante 10 anos. Publicou, para além disso, numerosos livros e artigos sobre temas de Economia Política, Finanças e Direito Fiscal. De 1957 a 1963 presidiu à Comissão da Reforma Fiscal, elaborando o projecto da reforma da tributação directa, que veio a ser decretada de 1958 a 1965. Foi membro das mais distintas academias económicas internacionais.
Nomeado Reitor da Universidade de Coimbra em Maio de 1974, exerceu cargo que exerceu até à exoneração, em Setembro de 1976. Durante o seu reitorado, foram Vice-Reitores a Doutora Adrée Jeanne Fançoise Crabbé Rocha (esposa do escritor Miguel Torga) e o Doutor Carlos Alberto da Mota Pinto (1974-1975) e os Doutores Joaquim Gomes Canotilho e Orlando Pinheiro Rafael Pinto (em 1975-1976).
Foi membro do Conselho de Estado em 1974 e 1975, e Vice-Primeiro Ministro do V Governo Provisório (1975), que teve como Primeiro Ministro o general Vasco Gonçalves. Presidiu, ainda, ao Conselho Provisório da Faculdade de Direito de Novembro de 1976 a Abril de 1977.
Voltou à docência de Economia no ano lectivo de 1977-1978, vindo a jubilar-se em 4 de Outubro de 1978. A Faculdade de Direito promoveu-lhe uma homenagem em 5 de Fevereiro de 1979.
José Joaquim Teixeira Ribeiro viria a falecer no dia 7 de Outubro de 1997, já viúvo de D. Urgentina Afonso Ribeiro, tendo ficado sepultado no cemitério de Aveiro Sul.

José Abílio Coelho

João José Simões Veloso de Almeida (-) — Proprietário e político

Natural de S. Mamede de Gondariz, concelho de Terras de Bouro, João José Simões Veloso de Almeida era filho de António Vicente Simões e de D. Maria Rosa Velloso de Almeida. Casar-se com D. Rita Joaquina de Almeida, proprietária da Casa do Ribeiro na freguesia de São João de Rei (Póvoa de Lanhoso), tornando-se pelo casamento um dos maiores proprietários agrícolas do concelho. O casal teve vários filhos, alguns dos quais iriam ter papel de relevo durante a I República. João José Simões Veloso de Almeida foi presidente da Câmara da Póvoa de Lanhoso ainda durante a Monarquia, vontando a sê-lo, entre 1914 (eleito nas primeiras eleições autárquicas após a implantação) e 1918. Foi também, por diversas vezes, administrador do concelho da Póvoa de Lanhoso. À sua morte, a Casa do Ribeiro passou para as mãos do filho padre José Carlos Simões Veloso de Almeida, que era professor do Colégio de Nossa Senhora da Conceição, em Guimarães

José Abílio Coelho