quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Américo Simões (n. 1930) — “Farmacêutico”


Américo Lindauro Simões Lopes, figura popularmente conhecida em todo concelho como “Mequinho da Farmácia”, juntando o diminutivo do seu primeiro nome com a da actividade profissional de toda a sua vida, nasceu na Póvoa de Lanhoso, na Avenida da República, no dia 29 de dezembro de 1930.
Seu pai, José Simões Lopes, começou por ser aprendiz de tipógrafo no jornal “A Maria da Fonte”, profissão que mais tarde abandonou por ter sido admitido como funcionário do Registo Civil, era natural da freguesia de São Martinho do Campo. Sua mãe, Évila do Sacramento, era natural do concelho de Fafe, tendo casado com José Simões Lopes numa ocasião em que este estava empregado naquela cidade, como tipógrafo de um jornal da terra.
Casados e já com dois filhos nascidos, veio o casal viver na Póvoa de Lanhoso, numa casa sita na Avenida da República, primeiro, e numa casa da então Rua dos Lisboas (hoje avenida dos Bombeiros Voluntários), depois.
D. Évila era tintureira de profissão, ofício que trouxe consigo para esta terra, o qual por cá praticou por muitos anos, e no qual iniciou as suas filhas: daí que um dos apelidos dos membros femininos da família fosse exactamente o de “tintureiras”.
O casal teve vários filhos. Américo Lindauro Simões Lopes — porque é deste que pretendemos falar agora — cresceu na Póvoa de Lanhoso. Aqui deu os primeiros passos e frequentou a escola primária, aqui brincou como todas as crianças da sua idade, aqui aprendeu as primeiras lições da vida.
Aos 13 anos, porém, teve de partir para a cidade de Guimarães, onde se empregou como balconista na Farmácia Pereira, sita na (actual) Alameda, no coração daquela cidade. Naquele tempo começava-se a trabalhar muito cedo. Ali se manteve ao longo de onze anos e meio, praticando e aprendendo a profissão de "farmacêutico". Até que se despediu e, por alguns meses, passou a ganhar a vida como “viajante” de produtos farmacêuticos. O seu futuro estava, porém, na sua terra natal e, pouco mais de doze anos depois de daqui ter saído como "menino balconista", regressou como funcionário da Farmácia Matos Vieira, pertencente, então à farmacêutica Dra. Júlia Gonçalves — esposa do Dr. Severo, médico e cirurgião natural de Braga que teve consultório na vila e prestou serviço no Hospital António Lopes durante décadas. A Dr.ª Júlia era natural do lugar do Pinheiro, da freguesia de Lanhoso, filha do Sr. Constantino.
Américo Simões, que quando voltou à Póvoa tinha vinte e quatro anos de idade, chegou para assumir o cargo de ajudante técnico desta farmácia — vão lá bem mais de 50 anos! Desde então, conquistou a confiança dos clientes da casa e foi, ao longo de mais de cinco décadas, um profissional do mais elevado gabarito; um conselheiro em quem muitos doentes tinham tanta confiança como num médico. Aliás, a sua presença na farmácia tornou-se tão forte que, para além de, como atrás se diz, ter agregado ao diminutivo do seu nome a designação de “da Farmácia”, juntou a esta uma ideia com ainda maior força ainda: é que, durante décadas, grande parte dos clientes da casa conheciam a Farmácia Matos Vieira como “farmácia do Simões”. Com um feitio muito próprio, mas senhor de um coração de ouro, o Méquinho tornou-se um eficiente “farmacêutico” que toda a comunidade respeitava e procurava.
É o sócio número 1 de duas das mais importantes agremiações povoenses: os Bombeiros Voluntários e o Sport Clube Maria da Fonte. Contudo, poderá dizer-se que a instituição que serviu mais abnegadamente ao longo de décadas foi o selecto e durante muitas décadas influente “Clube Povoense”, por muitos ainda hoje conhecido por “clube dos Velhos”.
Vive hoje a sua aposentação na paz do seu apartamento sito ao Largo de Barbosa e Castro.

José Abílio Coelho

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Arminda Laura Rebelo (1916-1997) — Cozinheira

Célebre cozinheira povoense a quem todos conheciam por Minda Laura — nasceu na vila da Póvoa de Lanhoso, na parte que então pertencia à freguesia de Lanhoso, em 16 de Setembro de 1916, filha de José António Rebelo e de Laura Cândida Ribeiro de Vasconcelos. Seu pai era merceeiro, com estabelecimento próprio no Largo da Alegria, onde mais tarde foi a casa de fazendas S. José. A mãe era doméstica.
Minda Laura cresceu e brincou no coração da nossa Vila tendo, na idade própria, frequentado a Escola do Conde de Ferreira, que existia no topo da avenida da República. Foi com a sua mãe, contudo, que, ainda mocinha, veio a aprender a arte da culinária, na qual se tornaria, anos mais tarde, verdadeira mestra, admirada por todos, apreciada por centenas e centenas de bons garfos de toda a região.
Casou com Carlos Augusto da Silva — o Carlos do Silvino, que foi barbeiro na vila da Póvoa — e, logo depois, abriu uma tasquinha no mesmo largo onde o pai tinha a mercearia.
Porém, as suas mãos para a cozinha eram de tal gabarito que, em pouco tempo, a sua pequena tasquinha, ganhou fama dentro e fora das portas do concelho transformando-se numa frequentadíssima e excelente “pensão” — designação que na altura era genericamente às casas que “davam” comida e dormida.
As dezenas de pratos regionais por ela apresentados aos fregueses, eram famosos em todo o Minho, especialmente o feijão com tripas e com mão-de-vaca, a vitela assada e estufada, as papas de sarrabulho com rojões, a língua de boi estufada e o grão-de-bico com bacalhau, que traziam à Póvoa de Lanhoso bons garfos de todos os concelhos vizinhos. A sua fama como cozinheira era tal que, ainda hoje, tantos anos após o seu desaparecimento, há quem recorde com saudade os pratos que preparava.
Para além da boa cozinha, Mindinha Laura costumava apresentar excelentes vinhos verdes, de pipa — em cuja escolha contava com a colaboração do marido, o "Se" Carlos que, aos fins de se- mana, corria as adegas vários produtores do concelho, escolhendo os melhores que encontrava. A procura era tanta que em determinadas ocasiões chegava a vender uma pipa de vinho num único fim de semana.
Nas festas de São José — na verdade uma grande feira franca onde marcavam fortíssima presença os lavradores de todo o concelho e ainda dos de Fafe, Vieira do Minho, Amares ou Guimarães, que eram os homens que melhor comiam e bebiam — a pensão era uma espécie de “catedral” da gastronomia local, atendendo centenas e centenas de pessoas.
Arminda Laura Rebelo envelheceu e, cansada, passou a Casa a José Alcindo Ribeiro de Melo e esposa — que a mantiveram durante muitos anos.
Arminda Laura Rebelo viria a falecer na Póvoa de Lanhoso, no dia 24 de Junho de 1997.

José Abílio Coelho

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Padre Carlos Alberto Ribeiro () – Pároco de Monsul e primeiro director do semanário “Póvoa de Lanhoso"

Hugo Rocha faz, na página 120 e seguintes do seu “Gentio Branco”, a descrição de uma prédica do Padre Anselmo, inspirada seguramente no Padre Carlos Alberto Ribeiro. E se muito do que consta daquele romance é pura ficção, o mesmo não pode dizer-se desta prédica. Eu diria mesmo que ela está aquém da realidade. De facto, o Padre Carlos era uma pessoa muito severa, não se ensaiando para afastar violentamente do caminho quem não estivesse no devido alinhamento quando levava com ele o cálice ou servia a comunhão, ou para recusar publicamente esta a quem ele pensasse estar em pecado. E disse uma vez, do altar a baixo, que alguns paroquianos recebiam a hóstia consagrada como a sua Coimbra (égua) comia uma copa de palha…
Mesmo com as crianças, a sua severidade era por vezes excessiva ralhando ou, até, batendo, nem sempre com razão, ou, pelo menos, de forma desproporcionada à falta cometida, e, por isso, os rapazes sentiam verdadeiro pavor quando tinham de se lhe confessar. De facto, sentados em bancos corridos, aguardando a nossa vez, pedíamos a todos os santos que nos saísse na rifa o outro confessor, o abade de Geraz, porque os ralhos e as pesadas penitências do Padre Carlos nos aterrorizavam.
Em contrapartida, dava gosto ser confessado pelo abade de Geraz, o bom do Padre Alves Pinheiro, de voz roufenha, para quem nada era pecado. Contava-se que, um dia, estava a confessar um rapaz que, com cara de aflito, apertava muito a mão no peito.
Estranhando a situação, o Padre lá continuou a confissão, mas, às tantas, soltou-se um passarinho do peito do rapaz e este largou a correr, igreja abaixo, deixando espantado o pobre do Padre. É que, o malandro, tinha andado aos ninhos e levara com ele um passarinho para a igreja! Contava-se, também, que o Padre Alves Pinheiro se queixara um dia, numa prédica, em Geraz, da falta de meios com que se debatia, pelo que se via obrigado a andar só com a Grila de fora… A Grila era a jornaleira que trabalhava no passal e ele queria referir-se à carência de mão de obra…
Mas voltemos à personalidade do Padre Carlos Alberto Ribeiro. Ainda no tocante às crianças, as longuíssimas acções de graças que, de joelhos, se tinham de dar após a comunhão, no chão frio e agreste da igreja, quase que anulavam o mérito de se ter comungado… Com efeito, depois de se ter percorrido caminhos cheios de lama, à luz de bruxuleantes lampiões, para chegar à igreja, ouvir a missa e comungar, era quase desumano obrigar as crianças, em jejum, àquele sacrifico sobre-humano. Atenuava esse tremendo esforço o cheiro perfumado das açucenas e outras flores que sempre ornamentavam os altares da igreja.
Mas o caso mais gritante foi o da Birinha do Silva (Belmira Júlia) que, numa festa de Santiago e Santa Luzia, foi escolhida para rainha das virgens. O carro respectivo, ao passar em frente à sua casa, parou a fim de que ela cantasse (tinha uma voz belíssima). Ora, como no rés-do-chão da casa funcionava a loja do Silva, onde também se vendia vinho, o Padre Carlos entendeu que seria um sacrilégio que a menina cantasse ali. E, bruscamente, talvez violentamente, retirou-a do carro, impedindo-a de cantar. Alguns elementos do povo, indignados, entenderam que não era mais possível tolerar procedimentos destes e, aos gritos contra o padre, avançaram para ele. Como a igreja ficava ao lado, foi-lhe possível fugir para o templo e, com a ajuda de algumas pessoas, entre as quais o meu pai, trancou-se por dentro, esperando que a fúria popular passasse. E, depois dos insultos, que duraram até à noite, quando o povo debandou, levaram o padre para Ajude, onde ficou na sua Casa de Cima de Vila. Entretanto, o tempo correu, houve contactos de parte a parte com o arcebispo, e, um dia, o padre Carlos regressou a Monsul reconciliado com os seus paroquianos. E nunca mais, até à sua morte, abandonou a freguesia.
Referidos os defeitos há, agora, que sublinhar as virtudes deste homem controverso, cujas reacções não serão facilmente explicáveis. Em primeiro lugar, o Padre Carlos organizava as melhores festas religiosas de toda aquela região, trazendo excelentes pregadores e dirigindo um grupo coral muito reputado; era zelosíssimo nos seus deveres paroquiais; e, sobretudo, fazia um incomparável mês de Maria – o mês de Maio – que ficaria para sempre gravado na minha mente e no meu coração.
Nesse mês, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, entoavam-se bonitos cânticos, enquanto o padre tocava órgão ou lia trechos alusivos às Aparições, aos fenómenos de 13 de Outubro de 1917 e à vida maravilhosa dos pastorinhos. A apologia de Fátima era feita por ele com enorme devoção, embora tivesse vivido todo o interminável período de treze anos (1917/1930) que a Igreja levou para aceitar o carácter sobrenatural dos acontecimentos da Cova da Iria.
Mas há mais uma grande qualidade a apontar-lhe: a sua preocupação com os pobres. Com efeito, sendo minha mãe responsável pela Conferência de S. Vicente de Paulo, nunca lhe faltou o seu apoio; e o mesmo aconteceu, quando, tendo esta ficado incapacitada, lhe sucedeu, nessa missão, minha irmã Laura, então com vinte anos de idade. E no período da guerra (Segunda Grande Guerra) moveu as suas influências pessoais junto do Poder (Padre José Dias, então Presidente da Câmara) para assegurar o indispensável aos pobres, em bens alimentares. Numa época em que não havia Segurança Social e os pobres estavam totalmente dependentes da Caridade alheia, esta foi uma acção que deverá ser enaltecida.
Guardo ainda do Padre Carlos a alegria que imprimia à festa da Páscoa, percorrendo toda a freguesia casa a casa, montado na sua égua, a famosa “Coimbra”, com a campainha a tilintar continuamente e o numeroso cortejo de acompanhantes, com as suas opas coloridas. Que saudades eu tenho desse tempo!
O Padre Carlos morreria, na residência paroquial, na sequência de uma pneumonia fulminante que contraiu numa deslocação a cavalo da Ponte do Porto para Monsul, numa noite de temporal, vindo de Braga. Terá sido, por vezes, um homem contraditório, mas foi, seguramente, um grande e sofrido servidor de Deus. Tive o gosto de encontrar recentemente a Izilda (filha da Se Maria Ferradeira), sua fiel empregada, que ainda hoje se ocupa, graciosamente, da limpeza e arranjo da igreja.
Uma palavra ainda sobre o outro pároco de Monsul do meu tempo: o Padre Acácio António da Silva. Natural de Oliveira, vinha amiúde a Monsul, ainda como seminarista, fazendo amizade com meu pai e comigo próprio. Fomos mesmo grandes amigos e acompanhei a primeira fase da sua vida sacerdotal, quer como padre de Monsul, quer como brilhante pregador. Depois, eu fui para longe e quase perdemos o contacto. Mas a amizade perdurou. E, quando, abalado da sua saúde, deixou de pastorear Monsul, recolhendo-se ao Asilo de S. José, imediatamente telefonei para lá, tendo tido a sorte de haver sido ele próprio a atender o telefone. Pouco tempo antes da sua morte repentina, pressentindo-a talvez, escreveu-me a perguntar a quem deixar o seu exemplar do “Gentio Branco”… O Padre Acácio viria a ser sepultado no cemitério de Monsul.

Jorge Eduardo da Costa Oliveira
In: Monsul de Outros Tempos, no prelo

Amândio de Oliveira (1910-1981) – Empresário


Amândio de Oliveira foi um dos pioneiros dos transportes colectivos na nossa região. Garfense dos quatro costados, cresceu pelos campos e caminhos desta povoense freguesia do vale do Ave que, poucos anos antes (em 13 de Janeiro de 1898), tinha regressado definitivamente ao concelho da Póvoa de Lanhoso, após ter integrado por duas vezes o de Guimarães.
Ainda em Garfe aprendeu as primeiras letras, embora, pelos nove anos de idade, acompanhasse já seu pai, o negociante de fazendas Eduardo de Oliveira, pelas feiras da região. O pai transportava as mercadorias que vendia num veículo tirado por cavalos, o que terá dado ao jovem Amândio não apenas a experiência do “viajante”, mas talvez a visão de um dia poder engenhar uma transportadora que levasse as pessoas dos locais onde habitavam até às feiras ou até às cidades e vilas.
Anos mais tarde, seu pai sofre um acidente e, com 16 anos, vai dar novo rumo à sua vida. É nessa altura que começa a dar forma ao sonho de transportar, não mercadorias, mas pessoas. Talvez o velho carro, puxado por cavalos, tenha sido o seu primeiro veículo de transportes. Certo é que pouco tempo depois, a 28 de Março de 1926, compra o primeiro veículo automóvel, lançando-se na aventura de uma actividade comercial que haveria de o acompanhar pela vida fora.
Não foi fácil o início da sua vida empresarial, mas a sua capacidade e amor ao trabalho, bem como o notável empreendedorismo, levaram-no a singrar e a desenvolver uma das mais consagradas transportadoras de passageiros de toda a região, intitulada Auto Rodoviária do Minho. Servindo um povo que tinha na pobreza a sua principal preocupação, gente que vivia na sua esmagadora maioria de uma agricultura sem futuro, o empresário não fraquejou. Em 1978, e depois de muitos sacrifícios, constituiu com a esposa, D. Beatriz Domingues Basto de Oliveira, e dois dos seus filhos, outra empresa: Transportes Amândio de Oliveira e Filhos, Lda.
Com relações próximas do Poder político de então e com preciosos conhecimentos na área dos transportes, lançou-se à conquista de um mercado mais vasto. Aliás, os mais velhos lembram-se ainda bem dos autocarros da empresa que, com sede em Garfe, passavam pelas estradas do nosso concelho, vindos de Braga, Fafe ou Guimarães. O mesmo acontece com muitos estudantes povoenses que se deslocavam para Braga, em autocarros que passavam na vila povoense de manhã cedo e regressavam ao anoitecer. Pode até dizer-se que muitos desses alunos talvez não tivessem desfrutado a oportunidade de estudar caso não existissem as “caminetas do Amândio”, como popularmente eram conhecidos os autocarros da empresa.
Amândio de Oliveira viria a falecer com 71 anos na freguesia de Garfe. A Póvoa de Lanhoso mostrou preito de gratidão ao atribuir o nome deste empresário de excepção a uma rua da vila, identificando-o como “pioneiro nos transportes”.

Rui Rebelo

Fontes principais: Jornal Terras de Lanhoso, Nº 234, de 04 de Julho de 2007; depoimentos de várias pessoas que conviveram com o biografado.

Padre José de Castro Torres (1899-1987) – Pároco de Taíde

Nasceu em Santa Maria de Ribeiros, concelho de Fafe, em 13 de Junho de 1899, filho de Francisco de Castro e de Camila Antunes[1].
Frequentou a escola primária da sua terra, fazendo exame de segundo grau em 1910. Em Outubro do mesmo ano, passou a frequentar o Seminário de Braga, tendo interrompido os seus estudos logo no primeiro ano devido ao encerramento desta escola. Em 1911 passou a frequentar o Liceu de Guimarães, onde, em 1916, concluiu o 5º ano liceal. Seguiu de novo para o seminário de Braga, onde estudou teologia, sendo ordenado sacerdote em Abril de 1923. Nesse mesmo mês celebrou a sua “missa nova” na paróquia natal.
Entre 1924 e 1929, foi pároco em Pedraire, Fafe, e de 1929 a 1931, paroquiou na freguesia de Armil, do mesmo concelho. Foi o principal impulsionador da construção da estrada Fafe-Armil-Jugueiros, a qual permitiu tirar a sua paróquia do isolamento ancestral em que se encontrava.
Em Agosto de 1931, foi nomeado pároco de Taíde e capelão do santuário de Nossa Senhora de Porto d’Ave, concelho da Póvoa de Lanhoso, onde permaneceu por quase meio século — desde Agosto de 1931 a Junho de 1980 — tendo resignado à paróquia e saído discretamente (despediu-se dos seus paroquianos por escrito), por se sentir cansado, passando então a viver na rua da Figueirinha, em Oeiras, junto do seu irmão Augusto.
Morreu em 21 de Novembro de 1987, tendo, por vontade expressa, vindo a enterrar no cemitério de Taíde, em campa rasa “e no meio do seu povo, que ele tanto amou”. Pelo seu próprio punho, e com o estuário do Tejo ao fundo, o padre José de Castro Torres escreveu, pouco antes de faleceu, o seu epitáfio, gravado na pedra da sua sepultura: Aqui Jaz o Rev. Padre José de Castro Torres pároco desta freguesia de Taíde e Capelão do Santuário de Nossa Senhora do Porto d’Ave durante 49 anos (1931-1980). (…). Rezai por ele”.
Entre as obras nas quais teve intervenção que o próprio mais destacava, contam-se a abertura do posto dos CTT, da estrada entre os lugares de Porto d’Ave e Quintela (década de 1950), bem como a que, atravessando terrenos legados pelo Dr. Francisco da Cruz Vieira e Brito, ligam o Santuário à estrada nacional. Destaque ainda para os esforços feitos, para a instalação naquela sua paróquia, das redes telefónica e elétrica. Lutou, ainda, pela instalação de uma escola do ensino básico em Quintela (que conseguiu), pelo abastecimento de água, pela criação de um posto da GNR e no projeto de construção de uma escola do ensino secundário — sendo esta última conseguida já após o seu auto-afastamento da freguesia. No seu plano, a escola do ensino secundário passava pela ocupação dos antigos “quarteis”, tendo, para o expor, chegado a encontrar-se com o presidente da República Américo Tomás.
Foi um assíduo colaborador do semanário “Póvoa de Lanhoso”, com a rúbrica intitulada “Ecos de Nossa Senhora do Porto”. De sua autoria, deixou um opúsculo sobre a inauguração do edifício dos correios de Porto d’Ave.

José Abílio Coelho
               


[1] Parte da informação contida neste resumo biográfico, foi-me fornecida pelo Dr. Augusto de Castro Torres, irmão do Padre José de Castro Torres, recentemente falecido.

D. António Manuel Pereira Ribeiro (1879-1957) — Bispo do Funchal


D. António, Bispo do Funchal


Nasceu na freguesia de Friande, concelho da Póvoa de Lanhoso, no dia 16 de Fevereiro de 1879, filho de Duarte Dias Pereira Ribeiro e de D. Deolinda Rosa da Silva Pereira Ribeiro, abastados proprietários. Ainda criança, mudou-se para Viana do Castelo, de onde seu pai era natural e onde a familia passou a residir na rua de S. Sebastião (atual Manuel Espregueira). O progenitor era proprietário da farmácia Aurea no rés-do-chão da residência. António Manuel era o mais velho de cinco irmãos: o segundo, Luiz Gonzaga, morreu em 9 de Abril na batalha de La Lys[1]; Joaquim, o terceiro filho do casal, era farmacêutico como o pai, e Conceição e Dores faleceram solteiras, depois de viveram toda a sua existência na casa dos pais.
Após as primeiras letras, António Manuel frequentou o antigo colégio de São Fiel e terminou o curso de Teologia, na Universidade de Coimbra, no ano de 1901. Ordenou-se presbítero no mês de Outubro desse mesmo ano.
Em 1 de fevereiro de 1904 foi nomeado professor e vice-reitor do seminário de Bragança. Foi, posteriormente, professor do Liceu de Viana do Castelo e vice-reitor do seminário de Braga. Apresentado num canonicato da Sé do Funchal, tomou posse do cargo em Junho de 1905. Nesta cidade exerceu como professor, no seminário diocesano, e foi redactor no antigo periódico madeirendo O Jornal.
Tendo falecido o bispo da Diocese, D. Manuel Agostinho Barreto, a 16 de Junho de 1914, foi o cónego António Manuel Pereira Ribeiro eleito pelo cabido vigário capitular, cargo que exerceu até à sua elevação ao episcopado.
Foi nomeado pela Santa Sé prelado desta diocese no dia 2 de Outubro de 1914, recebendo a sagração na cidade de Viana do Castelo, em 7 de Fevereiro de 1915, na Igreja de S. Domingos[2].
Regressou ao Funchal, onde chegou a 7 de Março do mesmo ano, tomando posse do lugar e entrando solenemente na Sé da cidade a 14 do referido mês e ano[3]. Foi o 28º bispo da diocese.
Privou e presidiu às cerimónias fúnebres do último imperador do império a Austro-húngaro, exilado no Funchal, em 1 de Abril de 1921[4].
O seu episcopado, de quarenta e dois anos, foi o mais logo dos quatro séculos de vida da diocese funchalense.
Foi agraciado com a Grã Cruz da Ordem de Cristo em 1940.
Viria a falecer a 22 de Março de 1957.

José Abílio Coelho
 


[1] O pai Duarte Pereira Ribeiro era natural de Viana e a mãe de Friande. D. António, filho mais velho, nasceu em Friande. O 2.º filho Luiz Gonzaga do Carmo Pereira Ribeiro (1.º adjunto do Comandante da "Brigada do Minho" morto el la Lys) nasceu em 1885 na freguesia de Monserrate em Viana: nessa altura D. António teria 6 anos e a família já estaria fixada em Viana.
[2] Cf. jornal A Aurora do Lima, outubro de 1915.
[3] Diário da Manha, nº 438, de 22 de Junho de 1932, p. 3.
[4] Rouillé, Michel Dugast, Habsbourg, Charles de, Le dernier emperer, Éditions Racine, 2003.

Francisco da Cruz Vieira e Brito (1893-1968) - Benemérito

Dr. Francisco Vieira e Brito
Francisco da Cruz Vieira e Brito nasceu às duas horas da tarde do dia sete de Setembro de 1893, no lugar de Sobradelo, da freguesia de Redufinho, concelho da Póvoa de Lanhoso. Era filho do Dr. Bernardino Ribeiro de Vieira e Brito, facultativo do Partido da câmara municipal de Amares, oriundo da mesma freguesia de Santa Maria de Rendufinho, e de sua esposa, D. Quitéria de Jesus da Cruz de Vieira e Brito, esta natural da de São Paio de Brunhais, ambas as freguesias do concelho da Póvoa de Lanhoso.
Seus pais haviam casado na igreja de Fontarcada, residindo, à época do nascimento deste primeiro filho, na freguesia de Ferreiros do concelho de Amares. O recém-nascido — neto paterno do doutor Francisco Hilário Ribeiro de Sousa e Brito e de D. Felizarda Rosa Vieira de Campos, e materno de Francisco José da Cruz e D. Emília Rosa da Silva e Sá — foi baptizado pelo reverendo José Joaquim Álvares na igreja da sua paróquia natal, aos quatro dia de Outubro do mesmo ano do nascimento. Para padrinho do pequeno Francisco foi escolhido o Senhor D. Francisco José Ribeiro de Vieira e Brito, bispo de Angra e Ilhas dos Açores o qual, não podendo estar presente, foi legalmente representado por seu bastante procurador e irmão, reverendo João Maria Ribeiro de Vieira e Brito; e para madrinha a senhora D. Conceição Cruz, no estado de solteira, proprietária, da freguesia de São Paio de Brunhais. Eram ambos tios da criança baptizada[1].
Pouco mais de um ano passado, isto é, ao sétimo dia do mês de Dezembro de mil oitocentos e noventa e quatro, nascia na mesma casa de Sobradelo de Rendufinho seu irmão único, a quem foi dado o nome de António[2], o qual foi baptizado na igreja da mesma paróquia aos oito dias do mês de Janeiro de mil oitocentos e noventa e cinco, sendo celebrante da cerimónia o Senhor D. Francisco José Ribeiro de Vieira e Brito, ainda bispo de Angra e mais tarde titular da diocese de Lamego, e padrinhos o reverendo João Mara Ribeiro de Vieira e Brito e D. Antónia Bernardina Ribeiro de Vieira e Brito, solteira, proprietaria, ambos tios paternos da criança, naturais e residentes na freguesia de Santa Maria de Rendufinho[3].
Não conseguimos descortinar, pelo menos por agora, os passos da juventude destes dois irmãos, que parecem ter sido sempre bastante unidos. Sabemos, porém, que, em 1905, era seu tutor o tio padre João Maria Ribeiro de Vieira e Brito, que por eles “e perante o notário desta comarca de Póvoa de Lanhoso, Lino António Rebelo”, assinou uma escritura, em que as crianças mutuaram a José Antonio Vieira e sua mulher, da freguesia de Friande, Póvoa de Lanhoso, “capital de quatrocentos escudos sujeito ao juro correspondente à tabela anual de cinco e meio por cento e hipoteca, que foi devidamente registada no livro treze a folhas vinte e uma verso sob o número 5.797”. No ano seguinte, em cinco de Julho, é ainda o tio padre quem por eles volta a assinar uma escritura de empréstimo de cento e sessenta escudos, dados ao juro de cinco e meio por cento a António Joaquim Fernandes, pela qual este “lhes havia feito hipoteca de vários prédios”[4].
Seriam, nessa altura, os pequenos órfãos? A pesquisa poderá levar-nos a alguma resposta, que pelo menos por agora não existe. Mas duas coisas nos levam a pensar que assim pudesse ter sido: em primeiro lugar, por terem um tutor. E em segundo, por, meninos ainda, terem já de seu dinheiro para emprestar a juros. Seria esse dinheiro herdado de seus pais?
Também ainda não conseguimos apurar, pelo menos por agora, a razão pela qual ambos os irmãos habitaram durante vários anos em Castelões, freguesia do concelho de Guimarães bastante distante da de Rendufinho. Mas sabemos que criaram ali profundas raízes, que tiveram ali propriedades, e que de tal forma a freguesia os prendeu que, pelo menos o Dr. Francisco da Cruz Vieira e Brito, veio ali a enterrar quando faleceu, em 1968.
O primeiro dos irmãos[5], Francisco da Cruz Vieira e Brito, fez os preparatórios no liceu nacional de Braga, seguindo depois para a cidade de Coimbra, onde em 1911 se matriculou e onde se formou em medicina. Deve ter concluído a licenciatura em 1919, ano em que fez a sua matrícula para doutoramento. Entre 1921 e 1926, leccionou na UC as cadeiras de Clínica e Policlínica Médica, tendo, durante os mesmos anos, desempenhado o cargo de analista do Laboratório de Análises Clínicas da Universidade. Em Outubro de 1926 despediu-se do corpo docente da Universidade, passando a leccionar como professor agregado no Liceu José Falcão, ainda em Coimbra, a partir de 1927. Ali ficou a residir alguns anos e a exercer a sua profissão de médico durante algum tempo, pois é residente nessa cidade e na qualidade de clínico que o dá uma procuração passada ao amanuense na Póvoa de Lanhoso Guilherme José Carneiro[6], para que este representasse ambos os irmãos numa escritura, procuração passada em Julho de 1925[7]
Mais tarde e por largos anos, o Dr. Francisco veio residir na Avenida Central, número 131, em Braga, tendo-se tornado professor do ensino liceal na cidade, profissão com a qual se reformou[8]. É natural que em parelelo exercesse também na cidade a medicina.
Mas voltemos um pouco atrás, a 1922, ano em que outorgaram a favor da sua rendeira Maria Joana Gomes, viuva e residente na mesma freguesia, a quem aqueles, sendo senhores de um foro anual de uma galinha, um frango, uma dúzia de ovos e um alqueire de milho alvo, que era obrigada a pagar-lhes esta, lhe vendem uma casa e horta junta, sitos no lugar da Devesa, através da entrega do domínio directo pelo pagamento de vinte vezes o foro acrescido do respectivo laudémio de quarentena, liquidado à face da tarifa camarária deste concelho, importância total de duzentos e trinta escudos e quarenta e sete centavos, que já receberam[9].
Em 1924, quando, residindo “acidentalmente” em Castelões[10], como é referido no documento notarial, os irmãos outorgaram uma permuta de imóveis, na mesma freguesia de Garfe, com José Baptista da Silva e mulher Esmeralda de Oliveira Peixoto, proprietários e moradores, tendo trocado entre eles leiras e matas[11].
Os irmãos, possuiram as vastíssimas propriedades herdadas, em comum até ao ano de 1959. A oito de Agosto desse ano, fizeram perante o notário João Machado da Silva, na Póvoa de Lanhoso a partilha desses bens, nos seguintes termos. “Divisão de bens comuns: os doutores Francisco da Cruz Vieira e Brito e António da Cruz Vieira e Brito são proprietários em comum de um conjunto de prédios descritos em letra de máquina em onze meias folhas de papel selado de cinco escudos (…); o valor global dos bens comuns é de cento e sessenta e sete mil, seiscentos e trinta e quatro escudos (…), tendo o quinhão do primeiro outorgante o valor de oitenta e três mil oitocentos e dezassete escudos sendo de igual valor e o do segundo”. Que não lhes sendo conveniente continuar na “indecisão”, decidiram dividi-los entre si, criando para a partilha dois lotes, sendo o lote A e o lote B. Ao primeiro são entregues todos os prédios constantes do lote A, com suas águas e outros pertences (…), tornando aos segundos outorgantes o valor em dinheiro de mil cento e treze escudos[12].
Refira-se, para se entender do que falamos, que os dois irmãos, Francisco e António, foram únicos e universais herdeiros do seu tio, reverendo João Mara Ribeiro de Vieira e Brito, falecido em Rendufinho, Póvoa de Lanhoso, em nove de Julho de 1954. A relação de bens herdados deste comporta 216 prédios, pelo valor matricial de 571.674$00[13]. Não podemos deixar de dizer, contudo, que o valor matricial destas propriedades é infinitamente inferior ao valor real das propriedades, pois, como veremos já de seguida, por apenas dois campos e uma sorte de mato, pagaria o Dr. Francisco, dois anos depois, quase meia centena de contos.
Certo é que Francisco da Cruz Vieira e Brito possuía, em meados da década de 1950, cerca de 200 prédios, entre urbanos ou rústicos, situados nas freguesias de Rendufinho, Garfe, Serzedelo, S. João de Rei, Oliveira e Friande[14], aos quais se juntavam outros ainda não inventariados, nomeadamente uma quinta em Porto d’Ave, freguesia de Taíde, que viria a legar à Irmandade da Senhora do Porto. Apesar do seu vastíssimo património imobiliário, o Dr. Francisco, em 1956, continuava a comprar propriedades, como aconteceu com os campos da Senra e da Leira, com água de lima e rega da poça do Verdeal, e com a sorte do mato da Volta ou do Penedo da Boca Aberta ou ainda das Trinta Carvalhas, na freguesia de Taíde, adquiridas por quarenta e cinco mil escudos a Parcídio Joaquim Fernandes Vaz, solteiro, maior, empregado comercial residente na rua do Monte Cativo, número 440, na cidade do Porto[15].
Falta-nos apurar todas as benemerências feitas em Porto d’Ave, mas é certo que para além de doações, pagou do seu bolso várias obras feitas no santuário.
O Dr. Francisco da Cruz Vieira e Brito faleceu, solteiro, na sua residência, sita à freguesia de São Victor, em Braga, em oito de Junho de 1968[16], depois de uma “melindrosa operação. Tinha 74 anos de idade e foi sepultado no cemitério de Castelões, concelho da Guimarães[17].

José Abílio Coelho


[1] Arquivo Distrital de Braga (doravante ADB), Fundos Paroquiais, Póvoa de Lanhoso, paróquia de Santa Maria de Rendufinho, livro 559, fls. 71-71v.
[2] O Dr. António da Cruz Vieira e Brito viria a casar com D. Maria Regina de Freitas Ribeiro, doméstica, natural da vila de Fafe, em Março de 1930, falecendo na freguesia das Mercês, em Lisboa, em cuja avenida Cinco de Outubro, número 12 habitou muitos anos, no dia 30 de Março de 1962. Cf. ADB, Fundos Paroquiais, Póvoa de Lanhoso, paróquia de Santa Maria de Rendufinho, livro 559, fls. 78 v.-79, nota à margem do assento de baptismo.
[3] ADB, Fundos Paroquiais, Póvoa de Lanhoso, paróquia de Santa Maria de Rendufinho, livro 559, fls. 78 v.-79.
[4] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário: José Luís da Silva Júnior, livro 75, fls. 44-48. As hipotecas destes empréstimos foram levantadas, ambas, no dia 9 de Julho de 1925.
[5] Seu irmão mais novo, António da Cruz Vieira e Brito, seguiria direito, tendo-se tornado advogado e notário, primeiro em Fafe, e mais tarde em Lisboa. Cf. ADB, Fundos Notariais, Póvoa de Lanhoso, notário José Luís da Silva Júnior, livro 75, fls. 44-46.
[6] Guilherme José Carneiro, solteiro, maior, amanuense de cartório, residente no lugar de calvos, freguesia de são genes, Póvoa de Lanhoso. Cf. ADB, Fundos Notariais, Póvoa de Lanhoso, notário José Luís da Silva Júnior, livro 75, fls
[7] ADB, Fundos Notariais, Póvoa de Lanhoso, notário José Luís da Silva Júnior, livro 75, fls. 44-46. Na mesma escritura seu irmão António era identificado como notário e advogado residente em Fafe.
[8] Jornal Maria da Fonte, de 15 de Junho de 1968.
[9] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário; José Luís da Silva Júnior, livro 973, fl. 44-45v.
[10] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário; José Luís da Silva Júnior, livro 973, fl. 44-45v. Escritura feita e assinada no lugar de Porto d’Ave da freguesia de Taíde, aos sete de Setembro de 1922. Realizando-se a romaria da Senhora do Porto no dia 8 de Setembro, é quase certo que ali estariam para assistir à festividade, ali se tendo deslocado a compradora e o notário.
[11] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário; José Luís da Silva Júnior, livro 75, fls. 44-48.
[12] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário: João Machado da Silva, livro 478, fls. 90-93.
[13] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário: João Machado da Silva, livro 478, fls. 90-93. Maço de notas a margem – ano de 1960 – s/ paginação.
[14] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário: João Machado da Silva, livro 478, fls. 90-93. Maço de notas a margem – ano de 1960 – s/ paginação.
[15] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário: João Machado da Silva, livro 443, fl. 4-8v.
[16] ADB, Fundos Paroquiais, Póvoa de Lanhoso, paróquia de Santa Maria de Rendufinho, livro 559, fls. 71-71v. Cf. nota à margem do seu registo de baptismo.
[17] Jornal Maria da Fonte, de 15 de Junho de 1968.