terça-feira, 14 de abril de 2020

MONSENHOR JOSÉ MARIA DA SILVA (1867-1938) - Professor e violinista

Monsenhor José Maria da Silva
José Maria da Silva nasceu em Monsul, Póvoa de Lanhoso, no dia 9 de maio de 1867, filho de Custódio António da Silva e de sua mulher D. Maria Rosa Vieira, que casaram em São Pedro de Figueiredo, Amares, e residiam no lugar do Souto, Monsul, e lavradores de profissão. Eram seus avós paternos Francisco do Espírito Santo Vieira e D. Custódia Maria da Silva, ambos de Monsul; e maternos António da Silva Tinoco e D. Maria Teresa Vieira, ele natural de Figueiredo e ela de Vilela (Póvoa de Lanhoso)[1].
Foi ordenado sacerdote em Braga, cujos seminários frequentou. Mais tarde dedicou-se ao ensino, primeiro como professor e depois como um dos diretores do Internato Académico da cidade de Guimarães, onde era considerado um “mestre genial”.
Foi também um renomado violinista, dizendo-se que chegou a tocar várias vezes para el-rei D. Carlos, um apreciador das artes em geral e dos bons executantes de música.

Era irmão do Pe. Anselmo da Conceição e Silva, que também foi professor, mas do Liceu Alexandre Herculano (Porto), e tio do médico Dr. Albino José da Silva[2].

O Monsenhor José Maria da Silva viria a falecer na freguesia da Oliveira, da cidade Guimarães, onde residia, vitimado por uma “cólica intestinal”, no dia 26 de abril de 1938, vindo o seu corpo a sepultar em Monsul, onde muitas centenas de pessoas da freguesia, do concelho e de municípios em redor, e destes sobretudo de Guimarães, assistiram às suas exéquias fúnebres.

José Abílio Coelho


[1] ADB, Paroquiais de Monsul – Batismos 1866-1911, fls. 4-4v.
[2] Jornal Maria da Fonte, de 1 de maio de 1938, p. 3.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

JOÃO ANTÓNIO PEREIRA PIRES (1858-1936) – Benemérito de Lanhoso

JOÃO ANTÓNIO PEREIRA PIRES
João António Pereira Pires nasceu na freguesia de São Tiago de Lanhoso, no dia 26 de maio de 1858, filho legítimo de António Bernardino Pereira e de D. Catarina Clara, do lugar da Feira Velha, tendo como avós paternos Manuel Félix Pereira e D. Ana Maria Exposta, e maternos José Joaquim Pires e D. Maria Custódia da rocha[1].
Emigrou jovem para o Brasil, para a cidade do Rio de Janeiro, quando contava apenas 13 anos de
idade, onde se iniciou como marçano numa casa de comércio. Mais tarde, lançou-se à vida por conta própria e teve ali uma casa comercial que funcionou sob o próprio nome, através da qual viria a juntar bom pecúlio[2].
Casou no Rio de Janeiro com D. Deolinda Borges Pereira Pires, de naturalidade brasileira[3]. O casal teve dois filhos: Alcina Pereira Pires, que tocava magistralmente piano e que aos 16 de idade ganhou, no Rio de Janeiro, eleita pelo jornal “O Ouvidor”, uma página a ela dedicada onde merece referência a sua enorme beleza; e Álvaro Pereira Pires, que no Brasil deu continuidade aos negócios de seu pai quando este regressou a Portugal.
Em Lanhoso (Póvoa de Lanhoso), João António Pereira Pires era dono da quinta de Adaúfe, tendo, uma parte da propriedade, sido herdada de seus pais, e a outra parte adquirida a sua irmã, D. Maria das Dores. A casa da quinta foi depois completamente reabilitada e adaptada à modernidade então importada pelos “brasileiros”. Merece destaque a grande sala de banho, com uma enorme claraboia, em vidro, que não só permitia a entrada de luz viva ao seu interior, como o aquecia, nos dias de sol.
Foi um grande benemérito do santuário de Nossa Senhora do Pilar da Póvoa de Lanhoso, bem como da sua freguesia de São Tiago de Lanhoso, cuja igreja renovou e melhorou diversas vezes ao longo de cinco décadas.
A ele deve a freguesia a abertura da estrada, hoje municipal, que, do lugar do Pinheiro, leva à casa de Adaúfe, que ele, em 1912, abriu a custas próprias, assim beneficiando o acesso à sua propriedade, mas, também, ao coração de Lanhoso[4]. O projeto inicial de João António Pereira Pires era proceder à abertura da ligação até ao largo do Cruzeiro, mas razões que desconhecemos levaram a que não o fizesse. No entanto, mandou fazer e ofereceu à câmara o estudo e a planta para a conclusão dessa obra[5]. O projeto desta segunda fase da ligação da igreja da paróquia até à casa de Pereira Pires foi aprovada pela Comissão Distrital, em sessão de 1 de novembro de 1912, nomeadamente o orçamento e o projeto de obra, feita seguidamente pela autarquia[6].
No referente ao apoio ao santuário de Nossa Senhora do Pilar, vejamos, por exemplo, que quando em 1905 regressou mais uma vez a Portugal com a esposa e a filha, foi recebido com o repique festivo dos sinos do Pilar e que, mal se instalou na sua casa de Adaúfe, logo partiu, acompanhado da filha, Alcina, para rezar na igreja do Pilar, onde, como agradecimento à Virgem pela boa viagem realizada deixou, como oferta, duas libras de ouro. Os sinos da igreja de Lanhoso, repicaram festivamente à sua chegada. É que, referia a imprensa local, “a freguesia deve-lhe a reedificação da sua matriz, bem como alguns melhoramentos e muitos benefícios prestados à classe pobre”[7]. Nessa vinda a Portugal, como costumava fazer sempre que cá chegava, mandou também distribuir esmolas aos pobres da vila e aos presos da cadeia comarcã.
João António Pereira Pires viria a faleceu em Lanhoso, na sua quinta de Adaúfe, em Lanhoso, no dia 29 de agosto de 1936. No seu obituário, o jornal “Maria da Fonte” referia que este cidadão de Lanhoso “passou a vida a beneficiar os indigentes que diariamente lhe batiam à porta”[8]. Contava 77 anos de idade. Foi sepultado no cantão da Senhora do Amparo, no cemitério da vila, tendo pedido um funeral modesto[9].
Deixou viúva D. Deolinda Borges Pereira Pires, que após enviuvar voltou ao Brasil com sua filha, ali falecendo a 13 de setembro de 1938[10].

José Abílio Coelho


[1] ADB, Livro de assento de batismos da paróquia de Lanhoso, 1839-1860, fl. 93.
[2] Jornal Maria da Fonte, de 26 de julho de 1903), p. 3
[3] Jornal Maria da Fonte, de 26 de julho de 1903), p. 3
[4] Arquivo Municipal da Póvoa de Lanhoso (doravante AMPL), Livro de atas da camara, nº 19, janeiro de 1912 a dezembro de 1913, ata de 11 de julho de 1912, fl. 18.
[5] AMPL, Livro de atas da camara, nº 19, janeiro de 1912 a dezembro de 1913, ata de 11 de julho de 1912, fl. 18.
[6] AMPL, Livro de atas da camara, nº 19, janeiro de 1912 a dezembro de 1913, ata de 1 de novembro de 1912, fl. 27.
[7] Jornal Maria da Fonte, de 12 de fevereiro de 1905, p. 2
[8] Jornal Maria da Fonte, de 30 de agosto de 1936, p. 2
[9] Jornal Maria da Fonte, de 6 de setembro de 1936, p. 2.
[10] Jornal Maria da Fonte, de 9 de outubro de 1938, p. 2.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

JOSÉ ANTÓNIO DE ARAÚJO BARBOSA (1858-1919) - Benemérito da freguesia de São Tiago de Oliveira

José António Barbosa
José António, filho legítimo de Manuel José de Araújo Ribeiro, lavrador, natural da freguesia de Rendufinho, e de sua mulher, D. Joaquina Barbosa Rodrigues, natural da de Oliveira, à data residentes no lugar do Outeiro, nasceu nesta freguesia aos 22 de agosto de 1858; era neto paterno de António José de Araújo e de sua mulher D. Maria Ribeiro, da freguesia de Rendufinho, e materno de Sebastião José Barbosa e de sua mulher, D. Ana Joaquina Rodrigues[1].
Em março de 1874, com 15 anos de idade, embarcou em Lisboa rumo ao Rio de Janeiro, Brasil, onde começou a trabalhar como empregado comercial, viajando consigo, na mesma viagem, seu irmão António, à época com 17 anos[2].
Ali viria a casar-se com D. Júlia do Vale Barbosa. Em 1899 regressou a Portugal com a esposa, instalando residência na cidade de Braga. Era tido nessa altura como “opulento capitalista”, dono de uma importante casa comercial no Rio de Janeiro, possuindo também “boa casa de residência” em Oliveira.
Era benemérito de pobres dos concelhos da Póvoa de Lanhoso e de Braga[3].
Durante a sua estada no Brasil fez amizade com o compatriota José Francisco Correia (1853-1929), natural de Sande, Guimarães, futuro visconde de Sande (1900) e conde de Agrolongo (1904), com quem teve negócios e de quem viria a tornar-se colaborador na distribuição da “Fábrica de Fumos Veado”. Eram compadres[4].
No início do século XX, José António de Araújo Barbosa, desejando que a sua freguesia natal tivesse escola do ensino básico e não dispondo ele própria da fortuna para a edificar, procurou junto do seu amigo e compadre, o Conde de Agrolongo, apoio, o qual doou o dinheiro suficiente para a construção. Assim o diz o jornal “Maria da Fonte” de 8 de dezembro de 1908, onde se pode ler que “o Sr. Conde de Agrolongo, um dos grandes beneméritos deste país, doou à freguesia de Oliveira da Póvoa de Lanhoso – pequeno torrão onde nasceu o nosso amigo Sr. José António de Araújo Barbosa, capitalista e compadre do nobre titular – uma escola mista, que se denominará Escola do Conde de Agrolongo”.
Dois meses antes da publicação desta breve, Araújo Barbosa tinha trazido à sua freguesia natal o referido benemérito titulado para – juntos – escolherem o local de implantação. Na mesma data, o titular tinha feito uma curta visita, na vila, ao seu amigo António Ferreira Lopes, aproveitando a passagem para oferecer ao recém-fundado corpo de bombeiros da Póvoa de Lanhoso a quantia de 20.000 réis. Há, aliás, duas fotografias do palacete das Casas Novas e do jardim António Lopes ainda em construção, tirada pelo benemérito titular que era fotógrafo amador apreciado.
Na citada data (08.12.1908) era também noticiado que José António de Araújo Barbosa estivera dias antes em Oliveira com mestre-de-obras Sr. Franqueira, de Braga, para apalavrar a obra. Foi este empresário que tomou a responsabilidade e levou a construção até ao fim. Foi na altura escolhido um terreno perto da igreja e os trabalhos começaram de imediato. O edifício possuía uma enorme sala de aulas (era uma escola mista para meninas e rapazes) e uma boa acomodação para o professor, consoante a lei então exigia.
Em 21 de julho de 1910, encontrando-se a escola pronta para funcionar, oficiou o Conde de Agrolongo à câmara municipal a doação do edifício, tendo o município tomado a responsabilidade pela sua manutenção, como se pode ler em ata do mesmo dia.
As aulas tiveram início mas, acreditámos que devido a alterações legais e mentais ocorridas com a implantação da República, em 5 de outubro do mesmo ano, a escola manteve-se em nome do seu fundador durante alguns anos, até que, em 24 de setembro de 1917, voltava a câmara a registar a leitura, em sessão daquele dia, de “um requerimento de José António de Oliveira Barbosa, da cidade de Braga, que na qualidade de procurador do Excelentíssimo Senhor Conde de Agrolongo – José Francisco Correia, morador em Lisboa na Rua do Sacramento á Lapa numero cinquenta e em obediência à sua vontade expressa na procuração junta vem fazer entrega à Câmara Municipal da casa escolar que mandou construir na freguesia d’Oliveira, terrenos e material de ensino da escola mista que ali funciona sob o título de Escola do Conde de Agrolongo com a condição de a Câmara conservar n’ela a actual professora oficial D. Maria da Costa Marques Guimarães”. O executivo assumiu por unanimidade aceitar a casa, terrenos e mobiliário da escola mista de Oliveira, deliberando ainda exarar em ata um voto de louvor ao Conde de Agrolongo pela valiosa oferta ao município, proclamando-o “benemérito da instrução pública deste concelho”.
A Escola Conde de Agrolongo de Oliveira funcionou durante várias décadas, nela adquirindo o ensino básico muitas centenas de naturais da freguesia, para só ser desativada em 2012. Atualmente encontra-se, depois de grandes obras sofridas, como local de apoio a atividades da junta de freguesia.
Em Braga, José António de Araújo Barbosa foi também, desde 1908 até à sua morte, presidente da direção do “Lar Conde de Agrolongo”, que, por procuração do titular, acompanhou como administrador de obras desde o seu início[5].
José António de Araújo Barbosa, faleceu em Braga em março de 1919.

José Abílio Coelho


[1] ADB, Paroquiais de Oliveira (1858-1865, Livro Misto), pp. 1-1v. Teve pelo menos um irmão, José António de A. Barbosa de seu nome, que nasceu em Oliveira a 12 de maio de 1873.
[2] ADB, passaportes, Cota atual A-2-246.
[3] MF de 23 Abril 1899
[4] MF 740 de 26 de Setembro de 1909
[5] Martins, Rita Maria Machado, João de Moura Coutinho de Almeida D’Eça (1872-1954), tese de mestrado, Faculdade de Letras de UP, policópia, p. 29.