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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Pe. Acácio José da Silva (1924-1997) - Sacerdote católico



A freguesia de Rendufinho, no Concelho da Póvoa de Lanhoso, é descrita em 1867, pelo escritor e médico José Augusto Vieira como “terra fertilissima em produtos agrícolas e com a industria da creação dos gados bastante desenvolvida[1].
Foi nesta bonita e harmoniosa aldeia rural minhota de Rendufinho que nasceu, em 25 de Maio de 1924, no lugar do Penedo, Acácio José da Silva, filho de António Conde Rodrigues e Antónia Maria da Silva, neto paterno de António Conde Rodrigues e de Antónia Antunes Rodrigues e neto materno Manuel Joaquim da Silva e de Maria da Conceição Vieira[2].
Concluído o grau escolar da instrução primária na sua freguesia, frequentou os Seminários Arquidiocesanos de Braga.
Após o seu percurso académico, com êxito, e, de discernimento na sua vocação sacerdotal, viria a receber o Sacramento da Ordem, no dia 15 de Agosto de 1951, na Sé de Braga, pelo então Arcebispo de Braga, Dom António Bento Martins Júnior.
A sua primeira missa realizou-se no dia 25 de Agosto de 1951, na Capela de Nossa Senhora da Graça[3], no lugar de Sobradelo da freguesia de Rendufinho.
Da sua Missa Nova deixamos um pequeno relato: “Precisamente às 12 horas chegou à dita capela (Capela de Nossa Senhora da Graça) o cortejo que acompanhou o Rev.mo P.e Acácio desde a casa de seus tios lá ao fundo de Rendufinho, numa distância de 3 bons quilómetros, ao som da musica de Nasce, cânticos, vivas e flores. Todo o povo se associou à festa, não só da freguesia, mas das vizinhas e de Oliveira, residência dos pais do novo presbítero, atraído pelo fogo que desde a espera, anunciava o grande acontecimento. Crença, devoção e alegria bem manifestadas naquela boa gente por ver subir os degraus do Altar um filho querido da sua terra, que quis engrandecer a sua freguesia preferindo-a a qualquer outra para a sua Missa Nova[4]. 
Ao longo do seu percurso sacerdotal e pastoral destacam-se as seguintes nomeações, feitas pelos respectivos Prelados da Arquidiocese de Braga:
1)  28 de Agosto de 1951 - Nomeado Pároco de Friande e Ajude, Póvoa de Lanhoso;
2)  30 de Julho de1953 - Nomeado Pároco S. Martinho de Monsul, Póvoa de Lanhoso e de S. João de Rei;
3)  20 de Agosto de 1981 - Nomeado Pároco de Verim, Póvoa de Lanhoso;
4) 13 de Setembro de 1989 - Dispensado da Paroquialidade de Verim;
5) 05 de Agosto de1993 - Dispensado da paroquialidade de Monsul e S. João de Rei, Póvoa de Lanhoso, a seu pedido, e por motivo de saúde[5].
Após a dispensa da paroquialidade de Monsul, passou a residir no Lar de S. José, da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso.
O Rev.mo Padre Acácio passou toda a sua vida no Concelho da Póvoa de Lanhoso.
O seu percurso terreno foi de um autêntico testemunho indelével e entrega ao seu semelhante, preenchido de alegria e simpatia contagiante.
Era uma pessoa de trato fácil, de uma simplicidade extrema, cuja simpatia e o bom humor eram das características que realçavam deste bondoso sacerdote. Por isso, gozava de grande popularidade junto dos seus paroquianos, como em todo o concelho da Póvoa de Lanhoso.
Faleceu em 22 de Outubro de 1997. O seu funeral realizou-se na tarde do dia 23 de Outubro de 1992, presidido pelo então Bispo Auxiliar de Braga, D. Carlos Pinheiro, sendo sepultado no cemitério da freguesia de Monsul, concelho da Póvoa de Lanhoso[6].

Sérgio Machado

           


[1] José Augusto Vieira, O Minho Pittoresco, Tomo I, Livraria de António Maria Pereira, Lisboa, 1886, p. 499.

[2] Cf. Conservatória do Registo Civil da Póvoa de Lanhoso, Livro de Registos de Nascimentos do ano 1924, registo n.º 318.

[3] Sobre a capela de Nossa Senhora da Graça vide o nosso, “Nótulas para a História da Capela de Nossa Senhora da Graça de Sobradelo de Rendufinho – Parte I e II”, Jornal “Maria da Fonte” de 14 e 28 de Novembro de 2014.

[4] Vide Jornal Póvoa de Lanhoso de 1 de Setembro de 1951.

[5] Estes dados foram-nos facultados pelos serviços centrais da Arquidiocese de Braga.


[6] Vide Jornal Maria da Fonte” de 31 de Outubro de 1997.

domingo, 27 de outubro de 2013

Jorge Eduardo da Costa Oliveira (1933-2016) – Economista, gestor e político



Dr. Jorge Eduardo Costa Oliveira

Jorge Eduardo Costa Oliveira nasceu na Casa do Bárrio, em Monsul (Póvoa de Lanhoso), em 17 de Outubro de 1933. Após frequentar o ensino básico no baixo concelho povoense com uma tia sua que era docente do ensino básico, completou em Braga os estudos liceais, vindo a licenciar-se em economia em Lisboa, em 1957, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, onde desenvolveu intensa actividade académica e obteve a mais alta classificação do seu curso.
Foi assistente daquele Instituto Superior, investigador da Junta de Investigação do Ultramar, técnico e chefe de repartição dos Negócios Económicos do Ministério do Ultramar.
Em Junho de 1961 foi nomeado Director Provincial de Economia de Angola, após o que, em Dezembro de 1964, passou a sobraçar, no Governo daquele território, a pasta da Economia e, em Setembro de 1969, a do Planeamento e Finanças, na qual se manteve até Janeiro de 1973. Durante estes doze anos conheceu Angola o período áureo do seu desenvolvimento, com os maiores índices de crescimento em África.
Regressado a Lisboa, foi inspector superior nos ministérios do Ultramar e da Coordenação Interterritorial, cabendo-lhe o acompanhamento da actuação dos delegados do governo e administradores por parte do Estado das empresas concessionárias e de economia mista. Criado, em Fevereiro do 1976, o Instituto para a Cooperação Económica, organismo sob a tutela dos ministérios dos Negócios Estrangeiros e das Finanças a que incumbia a coordenação económica, financeira e empresarial com os países em vias de desenvolvimento, foi nomeado membro da sua comissão instaladora e, uma vez dotado o mesmo de orgânica própria, em 1980, presidente da sua direcção, funções que viria a desempenhar durante doze anos, até à sua aposentação no final de 1992. A partir de 1994, foi consultor do IPE, Investimentos e Participações Empresariais, S. A., holding do Estado português.
É autor de dezenas de obras e estudos sobre os países africanos de língua portuguesa, designadamente:
“Aspectos de um grande problema nacional (o equilíbrio demo-económico)”, 1954;
“Aspectos Económico-Sociais da Ocupação Humana em Moçambique”, 1958;
“Alguns Aspectos da Unidade Económica Nacional” (co-autor), 1960;
“Estudos de Economia Ultramarina” (co-autor), volume n.° 47 do Centro de Estudos Políticos e Sociais (JIU), 1960;
“Aplicação de capitais nas Províncias Ultramarinas”, vol. n.° 50 do mesmo Centro, 1961;
“Economia de Angola - Os Fundamentos da Política Económica”, 1965;
“Problemas da Economia de Angola”, 1967;
“Economia de Angola —Evolução e Perspectivas” (1962-69), 1970;
“Conjuntura Económica de Angola”, 1970;
“Relatório da Pasta da Economia”, obra em 4 volumes com 2264 páginas, editada entre 1970 e 1971;
“Servindo o Futuro de Angola”, volume de 700 páginas publicado quando deixou este território;
“Textos sobre Cooperação Económica” (co-autor), 1992;
“A Economia de S. Tomé e Príncipe”, 1993;
“A Cooperação Portuguesa", ISEG, 1995;
“Cooperação de Portugal com os países africanos”, 1997;
Artigos sobre as relações com os países africanos de língua portuguesa, de 1988 a 2001, no “Economista”, Anuário da Economia Portuguesa, órgão da Ordem dos Economistas.
As suas vivências em Angola estão vertidas no livro “Memórias de África” (2005).
É ainda autor de um breve estudo intitulado “Verim e a Casa da Sarola de Baixo” (2001) e de um trabalho sobre o baixo concelho povoense, “Monsul de Outros tempos”, que se encontra no prelo. 
É Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1983), Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo (1992), Grão-Cruz "Pró Mérito Melitensi” da Ordem Soberana  e Militar de Malta, classe especial, Grão-Cruz da Ordem da Estrela da Bandeira da República da Jugoslávia, Grande-Oficial de Mérito das Repúblicas da Itália, da Grécia e da Áustria, Fellow da International Banker Association e membro da Sociedade de Geografia de Lisboa.
Faleceu em Sinta, onde habitava, a 19 de julho de 2016.


José Abílio Coelho

terça-feira, 15 de maio de 2012

Elísio de Vasconcelos (1907 -1965) – Professor e poeta


O estudante Elísio de Vasconcelos
Elísio de Sousa Vasconcelos é hoje um ilustre desconhecido da maioria dos povoenses. No entanto, a sua presença na freguesia de Monsul fez-se sentir durante muitos anos, ali tendo passado a sua juventude na companhia da família. Era irmão de um médico que fez história na freguesia, José Emílio de Sousa Vasconcelos, de todos conhecido como Dr. Juca, clínico conceituado e admirado jogador de futebol da equipa do Sport Club Maria da Fonte nos finais da década de 1920 e nos inícios da seguinte. Outro dos seus irmãos chamou-se Carlos de Sousa Vasconcelos. Carlos regressou ao Brasil, onde, em 1932, era estudante de medicina na Universidade de Belém do Pará[1].
Elísio de Vasconcelos nasceu eno dia 5 de novembro de 1907 no município de Cametá, estado do Pará, (Brasil), onde seus pais se encontravam emigrados[2]. Quando a crianças tinha nove anos de idade, seus pais decidiram regressar a Portugal, fixando-se em Monsul onde possuíam propriedades. Elísio frequentou o ensino básico nesta freguesia, numa casa alugada pela câmara para escola e situada muito próxima do lugar onde habitava. Ali fez a maior das suas amizades, que havia de o acompanhar por muitos anos, com António Baptista Lopes, a quem viria a dedicar um dos seus livros[3].
Concluída em Monsul a instrução primária os pais mandaram-no estudar no Colégio de Guimarães, onde era director o professor Manuel Pedrosa, residente na Casa do Ribeiro de São João de Rei[4]. Mais tarde, deslocou-se para o Porto, tendo concluído a preparação para ingressar no superior no colégio João de Deus. O seu trajecto académico viria a concluí-lo na Faculdade de Farmácia da mesma cidade, onde se licenciou como farmacêutico-químico.
Concluído o curso, voltou a Monsul onde, ainda solteiro residia em 1933[5].
Mas a vida na aldeia não o satisfazia completamente. Em 1934 voltou ao Porto, onde fixou residência e passou a exercer como químico-analista num laboratório ligado à indústria farmacêutica. Contudo, Elísio de Vasconcelos foi mais um desses homens que, tendo estudado ciências, maior apetência demonstrava para Letras.
Casou, ainda na cidade invicta, com D. Maria da Glória de Moura Direito de Vasconcelos, passando a residir, primeiro, na rua de Antero de Quental[6], mudando-se meses depois para a Rua do Bonjardim[7]. O casal não teve filhos.
Após o casamento, o Dr. Elísio de Vasconcelos deixou a sua actividade como químico para se dedicar à docência, tornando-se professor no Colégio João de Deus onde havia sido estudante. Seria, aliás, por iniciativa dos seus alunos neste colégio, que viria à luz o seu primeiro livro, intitulado “A saltar uma fogueira” (Porto, Edições Inicial, 1945), e no qual o poeta publicou um conjunto de sessenta e duas quadras “sanjoaninas”. Tendo então trinta anos, a sua veia poética não parava de jorrar. Iniciou colaboração em vários periódicos, entre os quais o semanário povoense “A Maria da Fonte”. E, ainda em 1945, veio a público o seu segundo livro, “Poliedro. Sonetos e outras poesias” (Porto, Livraria Portugália, 1945), seguindo-se-lhe “A ternura que me deste” (Porto, Livraria Figueirinhas, 1946).
A crítica acolheu muito generosamente os três pequenos volumes de poesia de Elísio de Vasconcelos, que mereceram referências elogiosas nos maiores diários nacionais, de A Tarde ao Primeiro de Janeiro, ao Comércio do Porto, a O Século ou ao Diário da Manhã. A revista O Inicial, órgão literário e artístico do Colégio João de Deus, publicou em Dezembro de 1945 uma extensa matéria sobre “A ternura que me deste” de onde extraímos um trecho: “Elísio de Vasconcelos é um poeta. Acentuamos. Repetimos. Poeta no sentido integral e quase maravilhoso do vocábulo. Eis a agradável convicção que a leitura desde livro nos dá […]. Como artista, Elísio de Vasconcelos é escravo de si mesmo. Isto é, da caudalosa fluência do sentimento lírico, que nele tudo inunda, subverte e vence. A onda da poesia transborda incessantemente do seu peito. Alastra em impulsos irreprimíveis. Vibra em estos viris. E na sua humildade adorável reflecte assim qualquer coisa de grandioso e olímpico”[8].
Há, porém, quem diga que mais cedo ou mais tarde a alma do homem procura sempre as suas raízes. Acreditamos que foi na saudade desse pedaço de chão natal, alimentada por naturais desencantos e por questões da sua própria vida íntima, que o poeta monsulense encontrou vontade de partir. E, assim, nos finais da década de 1940, Elísio de Sousa Vasconcelos decidiu deixar a docência no Colégio João de Deus para regressar ao Brasil, onde nascera.
Ali chegado instalou-se na cidade natal onde, na Universidade Estadual do Maranhão, passou a leccionar Farmácia e Língua Portuguesa, atingindo, poucos anos depois, a cátedra. Desempenhou também funções oficiais, chegando a ocupar o alto cargo de secretário do governo maranhense[9].
Inconstante como quase todos os poetas, em 1960 voltou a mudar de cidade, fixando-se desta vez no Rio de Janeiro onde foi contratado para ensinar em dois dos mais prestigiados colégios da cidade: o D. Pedro II e o Estadual Sousa Aguiar. Tornou-se redactor especial do jornal “A Voz de Portugal” e, mais tarde, de “o Mundo Português”[10].
Em finais de 1963 regressou a Portugal, numa viagem de saudade. Estanciando em Monsul, ali permanece por longos meses, aproveitando para viajar pelo norte de Portugal. Regressou à cidade maravilhosa em meados de 1963, mantendo as actividades de professor e jornalista[11].
Mas não o seria já por muito tempo: a morte surpreendeu-o aos 50 anos de idade, no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro onde se fizera internar pouco tempo antes. O seu corpo ficou inumado num dos cemitérios daquela cidade[12].
A nós, de algum modo seus contarrâneos, não nos ficou mais que os seus três livros de poesia e uns quantos textos que deixou espalhados pela imprensa: sinal de que, se as palavras se perdem no oco do tempo, as letras grafadas são imorredouras. Como esse poema a que chamou

“O Tempo

Curvada sobre si nossa alma sente
Que o passado tão pouco nos parece –
Nas horas que fugiram de repente
E a distância num sonho desvanece.

O tempo só é longo, se apetece
Um dia, no futuro, ansiosamente…
Mas quando então ridente ele amanhece,
Logo foge, partindo velozmente!...

Se nos trouxe, porém, contentamento,
É pena não parar nesse momento
Que se desfaz em nuvem de saudade.

Mas passa breve a vida, num lamento…
Efémero e incompleto pensamento…
- Um sopro em relação à eternidade!...”[13]

__________________
José Abílio Coelho




[1] Maria da Fonte de 14 de Agosto de 1932, p. 3. Elísio de Vasconcelos era sobrinho de outro proprietário de Monsul, Eugénio Pereira de Vasconcelos, falecido naquela freguesia, aos 43 anos de idade, em Agosto de 1932.
[2] Cf. blogue Falando de Trova, in http://falandodetrova.com.br/elisio [acesso em 04.01.2014].
[3] Cf. dedicatória do livro Poliedro, in Vasconcelos, Elísio, Poliedro. Sonetos e outras poesias, Porto, Livraria Portugália, 1946, página não numerada, onde se lê: “À memória do Dr. António Baptista Lopes, o melhor dos meus amigos”.
[4] Num dos seus livros, escreveu s seguinte dedicatória: “Ao snr. Manuel Pedrosa, Director do Colégio em Guimarães onde fui tantos anos aluno, como símbolo da minha gratidão e sinal da minha amisade, com um abraço do Elísio de Vasconcelos. Porto, 1945”.
[5] Arquivo Distrital de Braga (doravante ADB), Fundos Notariais, Notário Silva Júnior, livro 182, fl. 22.
[6] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário José Luiz da Silva Júnior, livro 350, fls. 45v-50.
[7] ADB, Fundos Notariais da Póvoa de Lanhoso, notário José Luiz da Silva Júnior, livro 245, fls. 45v-48.
[8] “Da Crítica”, in Vasconcelos, Elísio, Poliedro. Sonetos e outras poesias, Porto, Livraria Portugália, 1946, pp. 70-71.
[9] Cf. Jornal “Maria da Fonte”, nº 48 (19ª série), de 30 de Maio de 1965, p. 2.
[10] Cf. Jornal “Maria da Fonte”, nº 48 (19ª série), de 30 de Maio de 1965, p. 2.
[11] Cf. Jornal “Maria da Fonte”, de 27 de Janeiro de 1963.
[12] Cf. Jornal “Maria da Fonte”, nº 48 (19ª série), de 30 de Maio de 1965, p. 2.
[13] Vasconcelos, Elísio de, “O Tempo”, in Poliedro. Sonetos e outras poesias, Porto, Livraria Portugália, 1946, p. 36.