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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

EMÍLIO ANTÓNIO LOPES (1850-1920) - Primeiro Presidente dos Bombeiros da P. Lanhoso

EMÍLIO ANTÓNIO LOPES
Emílio António Lopes nasceu em São Gens de Calvos, concelho a Póvoa de Lanhoso, a 11 de julho de 1850. Era o terceiro filho do casal José Joaquim Lopes e Maria da Purificação Fernandes[1], sendo neto paterno de Miguel António Lopes e Silvéria Vieira, do lugar de Calvos, freguesia de Calvos, e materno de José Miguel Fernandes e Henriqueta Rosa, da casa da Oliveira de Cima, Fontarcada. Seus padrinhos foram o cirurgião e político local António Filipe Alves Vieira e a sua tia Emília Rosa Soares[2].
Emílio António criou-se na freguesia natal, onde aprendeu as primeiras e necessárias letras, mas, ainda jovem, partiu para o Brasil, como emigrante, fixando-se na cidade do Rio de Janeiro, onde seu irmão mais velho, António Ferreira Lopes, estava já há alguns anos instalado comercialmente com grande sucesso.
Emílio António, certamente apoiado pelo seu irmão, que lhe manifestou, até ao fim da vida, carinho e apoio de exceção, percorreu também a via dos negócios, tendo amealhado um pecúlio significativo. Ver inventário patrimonial no fim deste texto.
Na segunda metade da década de 1870 casou, na freguesia do Sacramento, no Rio de Janeiro, com a açoreana da Ilha Terceira Maria Augusta Moniz[3], com quem teve quatro filhos: Arlindo, Raúl, Elvira (“Vivi”) e Américo[4]. Mais tarde, já viúvo, casou com D. Flora Campos Lopes, com quem teve mais dois filhos, Armando e Óscar.
Após o seu regresso a Portugal e à Póvoa de Lanhoso, Emílio António viveu anos de destaque social. Seu irmão António, o homem mais rico e um dos mais respeitados do concelho, fruto sobretudo da sua faceta de benfeitor social, fez dele seu procurador, sendo por isso Emílio António quem acompanhava as muitas obras feitas por seu irmão António. Em nome desde, entregou dezenas de requerimentos para obras na câmara municipal, desde o da construção do edifício do Theatro Club a outros sobre as obras do Hospital que levou a nome do irmão.
Foi, em 1904-1905, o primeiro presidente da corporação de Bombeiros da Póvoa de Lanhoso e seu primeiro comandante. Embora as despesas com a criação do corpo de voluntários tenham sido cobertas por seu irmão, a Emílio António pertenceu o trabalho de campo. A banda de música da mesma corporação, fundada em 1904 e também ela patrocinada maioritariamente por António Ferreira Lopes, recebeu o maior apoio de Emílio António Lopes, que teve mesmo a honra de a ter recebido na sua Casa do Eirado, na Póvoa de Lanhoso, no dia de estreia. Por sua postura e disponibilidade, foi também juiz da irmandade de Nossa Senhora de Porto d’Ave entre 1906 e 1909, sucedendo no cargo a Albano Joaquim da Silva Coimbra e sendo sucedido por seu genro, João Albino de Carvalho Bastos.
Foi dos primeiros povoenses a possuir automóvel. Em 1912, o ribeiro Pontido saiu das margens tendo chegado à sua casa. A água entrou na garagem e estragou-lhe o automóvel que ali se encontrava.
Desde que regressou do Rio de Janeiro, aonde voltou acompanhado da sua filha Maria Elvira em 1899, tendo esta 19 anos de idade e estando ele com 48 anos e no estado de viúvo, Emílio António passou a dividir o seu tempo entre a Póvoa de Lanhoso e Lisboa, onde era hospede regular em casa de seu irmão António, especialmente depois da morte da esposa deste, D. Elvira Câmara Lopes, em fevereiro de 1910. Em agosto deste ano voltou ao Rio de Janeiro, acompanhando seu irmão mais velho que ali foi resolver problemas legais surgidos com a morte da esposa.
Ainda em 1910 fez Emílio António o seu testamento[5], no qual, depois de se invocar o auxílio de Deus para o momento da sua morte e afim de que a sua alma pudesse “gozar a eterna bem-aventurança”, declarou ter constituir os seus filhos do primeiro casamento (Raul, Elvira, Arlindo e Américo), como herdeiros das quotas legitimarias. Constituiu sua segunda esposa, D. Flora de Campos Lopes, e seu filho Armando (o único então nascido, vindo algum tempo depois a nascer Óscar), bem como a “quaesquer outros filhos que nascerem d’este meu segundo matrimonio” também seus herdeiros.  Legou, ainda, “em uso-fructo de metade do terço de todos os meus bens, haveres, direitos e acções que me ficarem ao meu fallecimento a minha esposa Flora Campos Lopes, e a raiz do mesmo meio terço a todos os meus filhos do primeiro e segundo matrimonio ou a seus legitimos representantes.  Que lego e deixo tambem em uso-fructo a outra metade do meu terço de todos os meus bens, haveres, direitos e acções que me ficarem a meu fallecimento a meu filho Armando se não houver mais filhos d’este meu segundo matrimonio ou estejam para nascer, porque então o uso-fructo d’este meu meio terço pertencerá em partes eguaes aos meus filhos do segundo matrimonio e a raiz a seus descendentes e quando algum morra sem os ter a sua parte será dividida entre todos os seus irmãos e meus filhos do primeiro e segundo matrimonio ou seus legitimos herdeiros.  Que se só existir meu filho Armando, do segundo matrimonio, da mesma forma a raiz do meu terço de que fica uso-fructuario passará a seus filhos e quando não os tenha a seus irmãos ou legitimos representantes.  Que se a minha esposa passar as segundas nupcias caducará logo o uso-fructo do meio terço que lhe lego, entrando todos os meus filhos logo a posse do mesmo em partes eguaes.  Que os meus herdeiros e uso-fructuarios do terço, satisfarão logo depois do meu fallecimento e do mesmo terço a quantia de cem mil reis a Nossa Senhora do Pilar da freguesia de Lanhoso.  Que os filhos do meu primeiro matrimonio têm a haver alem do que lhes pertencer ao meu fallecimento a sua legitima materna, que lhes pertenceu pelo fallecimento de sua mãe, cujo quantitativo consta do inventario orphanologico a que se precedeu neste Juizo por obito da mesma e correu seus termos no cartorio do egundo officio, que ainda não lhes satisfiz e nem por elles me foi exigido.  Para fiel cumprimento d’esta minha disposição nomeio meus testamenteiros em Portugal e pela sua ordem Flora de Campos Lopes, minha esposa, meu irmão Antonio Ferreira Lopes, e meu amigo José Gonçalves da Cruz e meu cunhado o bacharel João Campos Lima e no  Brasil tambem pela sua ordem, os meus amigos Barão de Oliveira Castro e Manoel Pinto da Silva e meu sobrinho Antonio Lopes Tinoco.  E assim d’esta forma dou por findo este meu testamento pelo qual revogo qualquer outro de data anterior que haja feito e declaro que vae por mim assignado e escripto por João Henrique Vasconcellos Rocha, contador d’este juizo, pessoa de minha confiança, que a meu pedido o escreveu e tambem assigna, nesta villa e comarca de Povoa de Lanhoso aos vinte e oito do mez de julho de mil e novecentos e dez”.
Os dez anos que decorreram entre a feitora do testamento e o fim da sua vida (1910-1920), foram de intenso trabalho e de muitos episódios de doença. Entre 1911 e 1914 foi o representante de seu irmão na condução das obras do hospital António Lopes. Em 1914, doente e já incapaz das canseiras que a obra acarretava, deixou o lugar que foi entregue a seu genro João Albino de Carvalho Bastos.
Faleceu na Póvoa de Lanhoso em 10 de agosto de 1920. Era cunhado do advogado e escritor João Campos Lima e de Emílio Campos Lima, do Porto. Deixou viúva Flora Campos Lima Lopes e dois filhos menores[6].


ESPÓLIO DE EMILIO ANTONIO LOPES

175  Acções da Companhia Petropolitana
100         do Banco do Brasil
100         da Companhia Progresso Industrial do Brasil
100  Debentures da Companhia Fiação e Tecidos Mageenae
100                                                          e Tecidos Manufactora Fluminense
100                                                                         Alliança
200 Consolidados nominativos 8% da Sociedade Propagadora de Belas Artes
1 Prédio (2 pavimentos) à rua de São Pedro, n.º 240
Em c/corrente na casa Castro, Silva & Cia: Rs. 48:891$750 – (Quarenta e oito contos oitocentos e noventa e um mil setecentos e cinquenta reis).

FILHOS:       
1º matrim.    Raul António Lopes, brasileiro, casado
                        Elvira Lopes Bastos, brasileira , casada c/ João Bastos
                        Arlindo António Lopes, brasileiro, casado c/ Maria Guimarães
                        Américo António Lopes, português, casado com América Lopes
      2º matrim.   Armando Campos Lopes, menor (17 anos) português,
                        Óscar Campos Lopes, menor (9 anos) português, solteiro





[1] Casamento dos pais, em 06.04.1846, na paróquia do Divino Salvador de Fontarcada, onde a noiva residia. Consta dos seguintes termos o assento de casamento: “Aos seis dias do mês de Abril do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e quarenta e oito, dados os Anunciamentos na forma de direito e constituição deste Arcebispado Primaz, em baixo assinado Pároco desta igreja do Salvador de Fontarcada, no concelho e julgado da Póvoa de Lanhoso, distrito e Arcebispado de Braga Primaz assisti ao matrimónio que entre si celebraram José Joaquim Lopes (…), filho legítimo de Miguel António Lopes e sua mulher Silvéria Vieira, naturais e assistentes na freguesia de São Gens de Calvos, deste concelho com Maria da Purificação, filha legítima de Miguel José Fernandes e sua mulher Henriqueta Rosa Soares, nascida na cidade do Porto, na freguesia de Santo Ildefonso, e vinda de dois anos para a casa da Oliveira de Cima, na companhia de seu pai, desta freguesia de Fontarcada, onde tem sido assistente e por não ter vinte e cinco anos completos seu pai lhe deu consentimento para este casamento e aqui assina como consente. Não receberam as bênçãos nupciais por ser tempo proibido [por ser quaresma] pela Santa Igreja. Foram mais testemunhas o pai do contraente e Custódio José Pereira, do lugar do Cruzeiro desta freguesia e outras pessoas que estavam presentes e para constar fiz este assento supra”. Assinaram o documento o vigário Narciso José Afonso Pereira, o mesmo que batizara António três anos antes, os pais dos noivos, José Miguel Fernandes e Miguel António Lopes, e a testemunha Custódio José Pereira. Grafia atualizada. Cf. ADB, Livros de assentos paroquiais de S. Salvador de Fontarcada, 1848, fl. 67.
[2] ADB, Livros de assentos paroquiais de S. Salvador de Fontarcada, 1850, fls. 23-23v.
[3] Filha de Manuel Borges Esconto de Muniz e Joanna Augusta Muniz.
[4] Os três filhos mais velhos nasceram no Rio de Janeiro, sendo Américo, o mais novo, o único a nascer já depois do regresso do casal a terras portuguesas. Américo nasceu, pois, na paróquia de Fontarcada, Póvoa de Lanhoso, em 7 de julho de 1889. ADB, Paroquiais de Fontarcada, 1883-1891, fl. 109.
[5] Arquivo de Marcos Barbieux Lopes, do Rio de Janeiro
[6] Jornal Maria da Fonte, nº 1304, 14 agosto de 1920, p. 2.

sábado, 23 de novembro de 2013

Eduardo José Barbosa (1927 – 2013) - Operário e Autarca



Eduardo José Barbosa

Eduardo José Barbosa, nasceu no Hospital António Lopes, na vila da Póvoa de Lanhoso, no dia 30 de Setembro de 1927, filho de Jardelino Barbosa e Bárbara Ferreira.
Com cinco anos de idade fica órfão de mãe, mais os seus quatro irmãos. O seu pai, Jardelino Barbosa, com poucas posses financeiras e com as dificuldades inerentes à morte da sua mulher, de cuidar dos seus cinco filhos, achou por bem, dar à guarda o pequeno Eduardo, aos seus padrinhos de baptismo, que eram um casal abastado e sem filhos, a residir na cidade de Guimarães.
O então pequeno Eduardo Barbosa foi viver para a cidade Berço, na perspectiva de ter um futuro bom e propício. Aí, aprendeu a ler e a escrever, onde viria a concluir a quarta classe, com doze anos de idade.
Após concluir o ciclo da instrução primária, era desejo do seu padrinho que o Eduardo Barbosa fosse para um Seminário, para que este seguisse a vida religiosa; porém, esta ideia não era do seu agrado. 
Como não era o seu propósito frequentar um Seminário, Eduardo Barbosa, resolveu um dia fugir da casa dos seus padrinhos, na tentativa de encontrar o seu pai.
Então, um dia, quando a criada dos seus padrinhos, natural da Póvoa de Lanhoso, veio à terra, resolveu seguir esta como forma de guia para chegar à sua terra natal.
Chegado à Póvoa de Lanhoso foi ao encontro de uma tia, conhecida no meio povoense como - “Mariquinhas da Fruta”, para saber notícias do paradeiro do seu pai. A dita tia não o podia acolher por muito tempo em sua casa, uma vez, que já tinha acolhido um dos seus irmãos, além de ter uma família numerosa.
A tia informou-o que seu pai encontrava-se a trabalhar em Terras de Barroso, nomeadamente, nas minas da Borralha, onde realizava a exploração do minério.
Determinado em encontrar o pai, parte numa longa jornada a caminho das minas da Borralha. Chegado aí, encontra o pai, mais a sua nova mulher e três irmãos consanguíneos, no qual foi bem recebido e acolhido.
De imediato, o pai, Jardelino Barbosa, arranjou emprego, nas minas da Borralha, para o filho, em que lhe foi incumbida a tarefa de auxiliar do trabalho minério, apelidado na gíria de “pincha”.
Como Eduardo Barbosa sabia ler e escrever, coisa pouco comum, naquela época, o engenheiro que coordenava o extrato do minério convidou-o para um cargo superior e cedeu-lhe uma casa própria. Então, com catorze anos de idade, sai da casa do pai e vai ao encontro de uma vida própria e independente.
Aos dezassete anos de idade, conhece aquela que viria a ser a sua mulher, Maria Joaquina Antunes, nascida a 30 de Março de 1929, no lugar do Pinheiro; que com naturalidade contraíam casamento, em Junho de 1947. Dessa união, nasceram quatro filhos: Jardelino Antunes Barbosa, nasce a 19 de Agosto de 1948; Emília da Conceição Antunes Barbosa, nasce a 1 de Maio de 1959; Fenando Eduardo Antunes Barbosa, nasce a 14 de Setembro de 1961; e Zulmira Fernanda Antunes Barbosa, nasce a 3 de Setembro de 1963.
Com vinte e um anos de idade é chamado a cumprir o serviço militar, na cidade do Porto, onde permaneceu durante dois anos.
Findo o serviço militar, regressa novamente para a extração do minério, nas minas da Borralha, agora com a função de chefe de equipa.
No dia 1 de Maio de 1959, dão por terminados os trabalhos da exploração do minério e sem trabalho volta à sua terra natal.
Num período em que Portugal estava sobre as vestes de um regime ditatorial, denominado de Estado Novo, Eduardo Barbosa impunha-se, em segredo, ao então regime vigente, participando em tertúlias com pequenos grupos restritos.
Assim, numa das várias reuniões contra o regime, realizadas no café “Ouro Negro”, na vila da Póvoa de Lanhoso, em que se conversava sobre a morte do General Humberto Delgado, (estava presente também - Eduardo Barbosa), foram, de súbito, alertados que a PIDE se encontrava no local para os prender. O que não chegou a suceder, porque foram avisados pelo barbeiro Pinto que, de seguida, os escondeu em sua casa, durante dois dias e duas noites.
Também, por esta época, arranja um trabalho na construção da estação dos Correios, na freguesia de Travassos, concelho da Póvoa de Lanhoso, deslocando-se, diariamente, numa longa caminhada do Pinheiro até Travassos.
Pelo ano de 1962, consegue um novo trabalho na construção da Barragem dos Pisões, levando consigo o filho mais velho. Aqui, assume novamente a função de chefe de equipa.
No ano de 1964, vê-se obrigado a fugir para a França, com o seu filho primogénito, para que este não fosse para a guerra colonial.
Depois de cinco anos a trabalhar em terras francesas, regressa a Portugal, no ano de 1968, pois a sua mulher encontrava-se muito doente.
Logo que chegou a Portugal, os engenheiros que o tinham contratado para a Barragem dos Pisões, chamam-no para a construção da Barragem da Valeira, em São João da Pesqueira, com o mesmo cargo que tinha anteriormente. Depois de concluída esta nova barragem, foi recrutado para a construção da Barragem de Vilarinho das Furnas, em Terras de Bouro.
Construída a Barragem de Vilarinho das Furnas, foi convidado para ser o encarregado geral na obra de construção da “Sacoor”, em Matosinhos.
Quando ocorreu o 25 de Abril de 1974, encontrava-se em casa, no lugar do Pinheiro, devido a um problema nos joelhos. Nessa manhã, descobriu, através da rádio, que o regime do Estado Novo tinha caído.
Ao ter presente tal notícia rejubilou de alegria, reunindo de imediato a família levando-a consigo para festejar a liberdade nas ruas da vila da Póvoa de Lanhoso.     
Foi um homem de fortes convicções políticas, que após o 25 de Abril de 1974, sempre defendeu os ideais de esquerda, nomeadamente os valores socialistas; no qual se empenhou por uma sociedade mais justa e igualitária.
Devido aos sucessivos problemas nos joelhos é aposentado em 1977, começando a dedicar-se um pouco mais à participação cívica, designadamente à política.
Por conseguinte, fez parte, por diversas vezes, das listas do Partido Socialista à Assembleia de Freguesia de Lanhoso, no qual a sua lista saiu vitoriosa nas eleições autárquicas de 12 de Dezembro de 1993. Assim sendo, durante dois mandatos desempenhou, com muita dignidade, o cargo de tesoureiro da Junta de Freguesia de Lanhoso, pelas listas do seu partido político que muito honrava.
Ademais, foi um homem de trabalho, amigo do seu amigo, e um dedicado chefe de família, pois nunca faltou com nada à sua mulher, aos seus quatro filhos e aos netos.
Sempre se pautou por uma conduta de respeito, gozando assim de grande estima no seio da sociedade povoense.
A sua indubitável simplicidade e o respeito pelo seu próximo tornou-o num grande homem. O seu exemplo de vida, enquanto marido, pai, avô, cidadão e autarca deixou rastos e marcas com quem conviveu de perto com Senhor Eduardo José Barbosa. Por isso, temos a ousadia de buscar as palavras do poeta, José Regio:

Ele, o que amou, sonhou, cantou, sofreu,
E em cujo próprio desespero ri
Um rastro de mais mundos e mais céu,

Foi isso e muito mais! – não cabe aqui.
Se podes crer que enfim se desprendeu,
Encontrá-lo-ás em tudo… e até em ti.[1]

Faleceu em 28 de Janeiro de 2013, sendo sepultado em jazigo de família, no cemitério Municipal da Póvoa de Lanhoso.


Sérgio Machado





[1] José Régio, “Epitáfio do Poeta”, Obra Completa – Poesia, Vol. I, Imprensa Nacional Casa da Moeda, Lisboa, 2004, p. 190.