quarta-feira, 13 de julho de 2011

Alberto Lopes de Amorim (1888-1964) – Professor do ensino básico; político

Alberto Lopes de Amorim nasceu na freguesia de São Cosme do Vale, concelho de Vila Nova de Famalicão, a 22 de Abril de 1888. Era filho de Joaquim Lopes de Amorim e de dona Ana Leite, proprietários de terras.
Terminada a instrução primária na sua terra natal, fez os preparatórios em Braga, em cuja Escola do Magistério Primário ingressou e onde concluiu o curso de professor do ensino primário. Ali conheceu aquela que viria a ser sua esposa, D. Camila Rosa Moreira do Vale Rego, natural de Monsul e também professora do ensino primário oficial, com quem viria a casar em 1914[1]. O casal teve dois filhos: Maria Emília do Vale Rego Amorim e Alberto José do Vale Rego Amorim.
Foi professor oficial entre 1911 e 1947, tendo ensinado durante muitos anos na freguesia de Monsul depois de ter começado a sua carreira pela da freguesia de Geraz.
Chegou a desempenhar o cargo de delegado escolar do concelho da Póvoa de Lanhoso.
Figura ligada à União Nacional, foi presidente da Câmara Municipal da Póvoa no início da década de 1950 e dirigente da Santa Casa da Misericórdia da Póvoa de Lanhoso a partir do mesmo período e praticamente até à sua morte, bem como presidente da Comissão Municipal de Assistência.
Alberto Amorim faleceu em Águas Santas a 19 de Dezembro de 1964. Tinha 76 anos de idade, era viúvo, e foi sepultado na mesma freguesia freguesia. O seu funeral foi dos maiores a que o baixo concelho já assistiu, tendo incorporado mais de duzentos automóveis. A chave da urna foi conduzida pelo então presidente da Câmara de Braga comendador António Maria Santos da Cunha[2].

José Abílio Coelho



[1] CRCPL, óbitos, 1964, fl. 140
[2] “Maria da Fonte” de 27 de Dezembro de 1964.

terça-feira, 12 de julho de 2011

António Bernardino de Sousa e Silva (1937-2001) — Jornalista, dramaturgo, encenador teatral


António Sousa e Silva, também conhecido por “António Francês” ou pelo pseudónimo de “Dino de Sousa”, nasceu na vila da Póvoa de Lanhoso a 23 de Dezembro de 1937. Filho de pequenos comerciantes, viveu até aos vinte anos no pequeno comércio, dedicando já grande parte dos seus tempos livres à literatura e à história, frequentando o grupo de teatro e escrevendo crónicas para o semanário “Maria da Fonte”. Foi correspondente local do “Diário Popular”. Em 1971 foi admitido no quadro administrativo do Hospital António Lopes, passando, em Maio de 1972, a chefiar a secretaria da Casa do Povo da Póvoa de Lanhoso. Foi um dos melhores dirigentes associativos que a Póvoa conheceu. Em Janeiro de 1981 fundou o semanário “Jornal da Póvoa”, sendo seu director até à data do falecimento, em 22 de Novembro de 2001. A partir de 1986 retoma a actividade teatral, agora como encenador do Grupo de Teatro da Associação Cultural da Juventude Povoense, à frente do qual encena dezenas de peças — algumas de sua autoria.
Obras publicadas: “A Revolução da Maria da Fonte” (1996) e “O Pecado de Ser Homem”, publicada postumamente em 2003.

D. António Manuel Pereira Ribeiro (1879-1957) — Bispo do Funchal


Nasceu na freguesia de Friande a 16 de Fevereiro de 1879. Ordenado presbítero a 13 de Outubro de 1901, foi nomeado Bispo do Funchal a 2 de Outubro de 1914, vindo a ser sagrado a 7 de Fevereiro de 1915. Governou aquela Diocese, primeiro como Vigário Geral, e depois como Bispo, durante quarenta e seis anos. O seu Episcopado, de quarenta e dois anos, foi o mais logo dos quaaro séculos de vida da Diocese. Viria a falecer a 22 de Março de 1957.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Júlio Celestino da Silva (1883-1918) – Humanista, político e comerciante

Nasceu em Braga a 27 de Julho de 1883, filho de um professor do Liceu da cidade[1]. Ali fez a instrução básica e frequentou o Liceu, partindo, depois, para Angola, onde se manteve por pouco tempo. Em Julho de 1909 tomou por trespasse a «Loja Central», no coração da Póvoa de Lanhoso, onde viria a fixar residência. A 2 de Outubro do mesmo ano casou, na igreja de S. João de Rei, com D. Virgínia das Dores Simões Veloso de Almeida, oriunda da Casa do Ribeiro. Um ano depois, a 11 de Outubro de 1910, foi nomeado vereador da primeira comissão administrativa municipal em República, e eleito pelos seus pares vice-presidente da câmara e vice-administrador do concelho. Nos dois anos seguintes, dadas as limitações que a actividade clínica impunha ao Dr. Adriano Martins, Júlio Celestino da Silva viria a desempenhar de facto as funções de administrador e muitas vezes as de presidente da câmara. Continuando a desempenhar funções políticas até Janeiro de 1912, Júlio Celestino envolveu-se na reorganização da Corporação dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Lanhoso, dos quais foi segundo comandante até à morte, que ocorreu “fruto da terrível Pneumónica”, em 10 de Outubro de 1918. Era genro de João José Simões Veloso de Almeida, presidente da Câmara entre 1914 e 1918, e cunhado de Adriano Carlos Simões Veloso de Almeida, presidente do mesmo órgão em 1919.

José Abílio Coelho



[1] Uma biografia mais aprofundada deste antigo “camarista” local, pode ser lida na revista Lanyoso, nº 3, edição da Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, num artigo intitulado “Julio Celestino da Silva, Um Homem da Primeira República na Póvoa de Lanhoso", da autoria de José Abílio Coelho

António Ferreira Lopes (1845-1927) – Grande Benemérito da Póvoa de Lanhoso

António Ferreira Lopes merecia uma página especial nesta listagem de “Figuras da Póvoa de Lanhoso”, página que permitisse aos leitores uma ideia aproximada da dimensão da sua dedicação e dádiva à terra onde nasceu, quer em vida, com a completa revolução que encetou na vila em termos arquitectónicos e na prestação de apoios aos seus conterrâneos mais desfavorecidos[1]; quer após a sua morte, pelos legados que instituiu e que permitiram uma segunda fase de desenvolvimento na sua terra e da qual se destaca a construção do novo edifício dos Paços do Concelho e da escola do ensino básico[2]. É que, mais de oitenta anos volvidos sobre o seu desaparecimento, é quase impossível aos povoenses de hoje conhecerem a verdadeira dimensão do esforço que, este homem de baixa estatura física, mas de elevadíssimo carácter e dimensão humana, prestou aos povoenses da primeira metade do século XX, especialmente aos mais desamparados da sorte, dedicação que, em muitos casos, arrasou as barreiras do tempo e se mantém viva até hoje. Não é possível, de momento, dedicar-lhe essa página de ouro neste despretencioso site de biografias de povoenses, mas haverá, num futuro próximo, outras oportunidades e suportes para melhor se conhecer a obra grandiosa do Grande Benemérito em favor da Póvoa e dos povoenses.
Por agora, fica esta nota, que não sendo exaustiva, se baseia numa pesquisa séria e demonta alguma informação deturpada que nas últimas décadas pode ter deixado alguma confusão.
António Ferreira Lopes nasceu no lugar de Oliveira da freguesia de Fontarcada, concelho da Póvoa de Lanhoso, no dia 14 de Abril de 1845, ou seja, quase um ano antes da Revolução da Maria da Fonte. Era filho natural de Maria da Purificação Fernandes[3], uma jovem de apenas 18 anos, que só três anos depois do nascimento deste filho viria a casar José Joaquim Lopes, pai do pequeno António. José Joaquim Lopes era de Calvos. Após o casamento com Maria da Purificação, o casal teve vários outros filhos.
Aos 12 anos de idade, António Lopes, a exemplo de muitos outros jovens portugueses que, no seu próprio país, tinham a vida dificultada pela péssima situação político-económica que então se vivia em Portugal, partiu para o Rio de Janeiro, cidade capital do recém-independente Império do Brasil, que vivia então um período de grande crescimento económico e que tinha as suas fronteiras abertas à emigração, fruto das primeiras ameaças do fim da escravatura.
Ali chegado, empregou-se como marçano num estabelecimento de venda de cereais, onde se manteve até aos 19 anos. Nessa casa comercial que aprendeu todos os segredos da sua profissão, experiência que consigo transportaria para um outro “negócio” do mesmo ramo onde, ainda como empregado, trabalhou até aos 25 anos de idade. Foi neste estabelecimento que, usando de alguma autonomia que os negócios nessa altura permitiam, começou a ganhar dinheiro. De tal forma, que pelos 25 anos decidiu mudar o seu nome de baptismo (era António Emílio Lopes) para António Ferreira Lopes, “para não ser confundido” nas casas bancárias com outro homem de negócios que ali vivia, com o mesmo nome. Este pormenor, que à primeira vista poderia passar despercebido mas que o “brasileiro” das Casas Novas fará questão de vincar, muitos anos depois, ao fazer o seu testamento, mostra-nos que António Ferreira Lopes era já, aos 25 anos de idade, um comerciante com considerável nome na praça do Rio de Janeiro.
É, pois, pelos 25 anos e já com algum estatuto, que se associa, como “interessado” à “Câmara & Gomes”, um grande estabelecimento comercial que dava então os seus primeiros passos e que tinha como sócio principal um outro emigrante português natural da Ilha da Madeira: Manoel de Pontes Câmara de seu nome, um rico comerciante da cidade. António Lopes começava naquela empresa uma vida ainda de maior êxito, pois os negócios da “Câmara & Gomes”, da qual agora era sócio, estendiam-se dos couros aos cereais, ao açúcar e aos cafés, especialmente a estes, que exportavam para toda a Europa.mA par do comércio, encontra-se envolvida em negócios de empréstimos de capital a juros.
Alguns meses depois de se ter feito sócio de Manuel de Pontes Câmara, viria a conhecer, na casa deste seu sócio, Elvira de Pontes Câmara, filha do emigrante madeirense, com quem iniciou um namoro. Em 1875, António Lopes vem a casar com Elvira de Pontes Câmara: ela tinha 18 anos, ele 29. Nos anos seguintes, fruto de um trabalho empenhado e bafejado pelo calor da sorte, avoluma-se mais ainda a fortuna do emigrante povoense.
Em finais da década de 1880, decide regressar definitivamente a Portugal, junto com a esposa, traz consigo uma monumental fortuna.
Passa a ter casa em Lisboa e na Póvoa de Lanhoso, onde para sua residência manda construir o belo Palacete das Casas Novas. Sem filhos, o casal dedica-se à benemerência. Dona Elvira, é, na Póvoa de Lanhoso a “santa mãe” dos desfavorecidos da sorte, das mães solteiras, das crianças a quem a fome e o frio consomem. As portas do palacete das Casas Novas, quando o casal cá se encontra em férias, abre as suas portas a Bispos e a Ministros, mas abre-as da mesma forma aos pobres que ali procuram um pedaço de pão para atenuar a fome ou uma peça de roupa para se agasalharem do frio. Dona Elvira é a protectora dos pobres, mas conta sempre, em todas as situações, com o apoio do marido.
Em 1904 é António Lopes manda construir no Largo de Serpa Pinto[4] uma casa de espectáculos, Theatro Club, que passa a ser sede de sociabilidade povoense, com as portas abertas aos mais ricos e aos mais pobres. No rés-do-chão do mesmo edifício, manda instalar uma Corporação de Bombeiros, que funda e também sustenta.
Entre 1900 e 1927, data da sua morte, António Ferreira Lopes faz muitas outras obras na terra, da abertura de estradas à doação de terrenos para espaços públicos, do arranjo de jardins à construção do primeiro bairro social que a terra teve. A sua obra maior foi, contudo, o hospital que construiu e inaugurou em 1917, e destinou a doentes pobres do seu concelho.
Entre 1917 e 1927 (ano da sua morte), este hospital seria mantindo exclusivamente por António Lopes, que do seu bolso, desde os ordenados de médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar, à instalação da mais moderna aparelhagem que à época se usava em hospitais da mesma dimensão. Quando faleceu, em 22 de Dezembro de 1927, no seu Lisboa, António Ferreira Lopes deixou em testamento o hospital aos povoenses, e dinheiro ou títulos da dívida pública, não só para a manutenção da casa de saúde, como para a construção de um novo edifício dos Paços do Concelho, de uma nova escola primária para crianças dos dois sexos e para a abertura de novas estradas. No longo testamento, não esqueceu a família e os amigos. E nem os seus mais fiéis servidores, do barbeiro à engomadeira, da cozinheira às empregadas de limpeza, esqueceu de deixar bem.
Na década de 1910, o município atribuiu o seu nome ao Largo onde morava e onde possuía o seu palacete. Na década de 1920, uma comissão de povoenses erigiu no centro do mesmo largo um memorial em sua honra. Na década de 1930, e já após a sua morte, Arlindo António Lopes, seu sobrinho e herdeiro, e Álvaro Ferreira Guimarães, seu grande amigo, pagaram do seu bolso o busto que se encontra à entrada do hospital que tem o seu nome. Outras homenagens lhe foram fazendo ao longo das últimas oito décadas. Mas o mais importante, em nossa opinião, é que passadas mais de oito décadas do seu desaparecimento do mundo dos vidos, os povoenses continuam a recordá-lo como o seu mais importante concidadão.

José Abílio Coelho



[1] Ver aqui nota biográfia de sua esposa, dona Elvira Câmara Lopes.
[2] Ver, também, biografia do padre José Anónio Dias.
[3] Alguns documentos apresentam-na com o nome de Maria da Conceição Fernandes.
[4] Depois Largo António Lopes.

domingo, 10 de julho de 2011

Alberto José Vale Rego Amorim (1922-) – Político, funcionário público


Nascido na freguesia de Águas Santas, concelho da Póvoa de Lanhoso, em 5 de Janeiro de 1922, filho do professor do ensino primário Alberto Lopes de Amorim e de sua esposa, Alberto José Vale Rego Amorim foi o último presidente da Câmara de Braga, entre 9 de Outubro de 1970 e 3 de Maio de 1974.
Em 1948, licenciou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, ingressado, após ter cumprido o serviço militar, nos serviços técnicos da Câmara Municipal da Braga. Corria o ano de 1950. Em 1956, venceu o concurso para Chefe dos Serviços Técnicos de Fomento da Junta Distrital de Braga.
Entrou na política em 1966, quando foi nomeado vice-presidente da Câmara Municipal da Braga, vindo a assumir a presidência em 1970, cargo que desempenhgou até Maio de 1974. Regressou, nessa altura, ao antigo cargo como chefe dos Serviços Técnicos da Junta Distrital de Braga, sendo, um ano depois, em 1975, nomeado director do GAT do Alto Cávado.
Dedicou-se ainda ao ensino, tendo leccionado na Escola Técnica Carlos Amarante, em Braga, entre 1964 e 1975.
Na qualidade de presidente da Câmara de Braga, fou, entre 1973 e 1974, procurador à Câmara Corporativa.
Desempenhou ainda o cargo de vice provedor da Misericórdia de Braga, vindo, de seguida, a assumir as funções de provedor durante dois mandados intervalados, ou seja, entre 1970 e 1976 e, depois, entre 1979 1992.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Matos Fonseca (1911-1999) - Engenheiro, Autarca e Político

Manuel de Matos Fonseca nasceu em Travassos (Póvoa de Lanhoso), em 30 de Setembro de 1911, vindo a falecer em Braga em 25 de Abril de 1999. Completou os estudos secundários no Liceu Sá de Miranda em Braga, e licenciou-se na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, ramo de Engenharia Civil, em 1936 com elevada classificação. Após a licenciatura, fez um curto estágio de alguns meses, em Lisboa, nos serviços da ex-Junta Autónoma de Estradas, e em 1937, radicou-se em Braga, tendo sido colocado na Direcção de Estradas do Distrito de Braga. Foi autor de inúmeros projectos de estradas, de pontes e pontões e de obras de grande reparação em todo o distrito de Braga. Pelo seu trabalho foi agraciado em 23 de Maio de 1966, pelo Presidente da República, com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique, pelo reconhecimento da obra de construção do acesso de Braga ao Bom Jesus.
Matos Fonseca esteve envolvido no nascimento da “Cooperativa Novos Pioneiros” e na fundação do “Nosso Café” culminando com o movimento local de indignação pela subida do preço do café. Envolvido desde a juventude, no Porto, nos movimentos políticos oposicionistas ao regime de Salazar, assinando alguns manifestos estudantis e participando em manifestações de rua, manteve sempre essa atitude até ao 25 de Abril de 1974, não pactuando com o regime. Participou no 3º Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro, em 1973, apresentando uma tese sobre a orgânica do Estado e programas do governo, tendo sempre acompanhado os períodos eleitorais que então se desenrolaram. Depois da revolução de Abril integrou a comissão administrativa da Câmara Municipal de Braga em Janeiro de 1975, sendo depois eleito nas listas da então FEPU, como vereador, funções que desempenhou entre 1976 e 1980. Foi em várias eleições autárquicas candidato nas listas da então APU e depois CDU para a Câmara Municipal de Braga e à Assembleia de Freguesia de Gualtar.
Recebeu a Medalha Municipal de Mérito, Grau Ouro, da autarquia bracarense.

Manuel Lopes

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dário Bastos (1903-2001) - Escritor

Dário Bastos, ou Dário Fernandes Bastos, de seu nome completo, nasceu na Póvoa de Lanhoso no dia 1 de Março de 1903, vindo a destacar-se como poeta e contista.
Era filho do também poeta Albino Bastos[1] e da costureira Ana Joaquina Fernandes. Nasceu na então Rua de São Brás[2], onde viviam seus avós maternos e sua mãe, e cresceu, como tantos outros meninos da sua idade, pelas ruas a largos da sua Vila da Póvoa natal. Frequentou a instrução primária na escola mandada construir com o legado do Conde de Ferreira, onde teve como professor Freitas Guimarães e como amigo mais próximo seu primo e também futuro poeta, João Augusto Bastos[3].
Mas nesse tempo distante em que Portugal, jovem República pouco tempo antes implantada, se encontrava mergulhado numa profunda crise económica, Dário, então com apenas 11 anos de idade, partiu para o Brasil à procura de uma vida mais desafogada: estava-se em 1914 e, nesse mesmo ano, partiu também, rumo à outra banda do Atlêntico, seu pai, Albino Bastos. O primeiro afazer do pequeno Dário era de pesado esforço físico, na cidade de Belmonte, interior do estado da Bahia, onde tomou contacto com a dura labuta da produção do Cacau, tão bem descrita na obra do grande romancista brasileiro Jorge Amado. Mas não era aquela vida que Dário Bastos procurava no Brasil do sonho de todos os portugueses. Mais a mais, a exemplo do pai e de outros membros da família, era um homem racional, um escritor em potência, um lutador que cultivava valores que iam muito para além do trabalho duro na roça. Por isso, em 1918, conseguiu mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro e empregar-se no comércio. Começava aí uma vida de luta assumida contra a exploração do homem. Em 1922, tomava parte na luta pela semana ingleza. A coragem de encarar a luta levou a ser considerado um subversivo, um agita… e ao desemprego.
Desiludido e acreditando que, afinal, poderia ser alguém no seu país, Dário Bastos regressou a Portugal em 1927, tempos difíceis de ditadura militar. Deu então início a uma carreira (a de caixeiro-viajanete) que havia de executar a vida inteira. Instalou-se no Porto, casou com dona Maria Nilda Vieira, filha do destacado membro do movimento republicano José Pinto Barbosa, com que teve três filhas: Helvécia, Lígia e Rosália.
Em 1938 tornou-se militante do Partido Comunista Português, militância que manteve até à morte.
Em 1960, publicou o seu primeiro livro, a que deu título de “Musa Itinerante”. E não mais parou de escrever e publicar. “Humildade e Presunção” (1962), “Realidades e Fantasias” (1964), “Máscaras” (1965), “Rua” (1968), “Saltimbancos (1970), “Sou” (1971), “Ser Poeta” (1972), “Olhos” (1973) ou “Pedaços de Vida” (1980) são apenas alguns dos seus títulos.
Em 19 de Março de 1996, foi agraciado com a Medalha de Honra (Grau Prata) pelo município da Póvoa de Lanhoso (altura em que, coordenado por José Viale Moutinho, foi dado à estampa uma colectânea de textos seus intitulada “Um Homem na Rua”), e em 22 de Março de 2009 o seu nome foi atribído a uma rua da freguesia de Baguim do Monte (Gondomar).
Dário Bastos faleceu no Porto a 28 de Maio de 2001.

José Abílio Coelho







Fontes: Jornal Terras de Lanhoso (vários números), Silva, Fátima; Castro, Olga, Dário Bastos: O poeta. O Democrata (1903-2001), Baguim do Monte, Junta de Freguesia de Baguim do Monte, 2009; e Moutinho, José Viale, Um Homem na Rua (introdução), Póvoa de Lanhoso, CMPL, 1996.
[1] Ver nota neste dicionário.
[2] Hoje Rua dona Elvira Câmara Lopes.
[3] Ver nota neste dicionário.